Tuesday, November 10, 2009
Wednesday, September 02, 2009

Thursday, August 20, 2009

Wednesday, July 29, 2009
Tuesday, June 09, 2009
uma noite inteira
o amor na bandeja
uma vontade grande
um desejo enorme
uma saudade, um instante
um vazio, um corte
algo que se lance
algo que me mova
algo que se seque
algo que me chova
quando se plante
quando se colha
quando se nasça
quando se morra
mesmo que seja
algo que se esconde
que um dia se mostre
que um quando me aponte
uma vida inteira
um vazio enorme
uma noite, uma lua
uma saudade cheia
algo que se corte
quando que se mostre
que um dia amor
mesmo que distante
um algo que explode
uma espera que se canse
quando que se chegue
um onde que se alcance
Gean Queiroz.......08.06.2009
Tuesday, May 26, 2009
G.Q.
Saturday, May 23, 2009
EFAVIRENZMeus pesadêlos são tão divertidos
passeando por caminhos escuros com meus inimigos
eu ouço insultos e gritos
ando sorrindo pra enganar a dor
meus passos me arrastam pelo asfalto
alguém se agarra aos meus pés
rasgam minhas roupas
arrancam meus cabelos
minha cabeça rola ladeira abaixo
submundo da minha mente
um piano bêbado me acompanha
numa doce melodia de ruídos insanos
que ninguém ouve ninguém sente
Deus me espera lá em baixo
ele está tão triste
que que há amigo? Não fique assim
isso é só uma noite ruim
amanhã tudo pode estar pior
sofrer é tão glamoroso
altos edifícios com grandes janelas pra saltar
tantas drogas pra tomar
meus pesadêlos são super coloridos
saio andando sobre os trilhos engolindo trens
canhão de luz na minha alma
dançarinos flamencos pisoteiam multidões
corpos sangram manchando tudo de vermelho
tantas estrelas cintilantes
cacos de vidro pelo céu
milhões de fracassos refletidos
sonhos partidos cortam minha pele
estou um trapo, eu sou um rato
deslizo no breu que apareceu
meus fantasmas estão sempre comigo
atravessamos as paredes
e assistimos suicídios, loucas trepadas, algumas broxadas
pedofilia, demências, castigos
masoquismo é tão divertido
humilhação sem culpa
submissão sem medo
escravos e dominadores, todos irmãos
Aleluia! Aleluia!
Beijo os pés de Jesus
cuspo na cruz
sento no colo do diabo
e acordo de pau duro.
G.Q.
Saturday, May 09, 2009
Friday, April 17, 2009
Tuesday, April 14, 2009
Descortinar o véu da insanidade da retinaDesmistificar os mitos da irracionalidade
Equívocos inabaláveis da realidade
Brincar com o silêncio sem temer o grito
Desembaralhar o vento no pensamento
Sanar a mente montando a serpente
Desbravar as planícies encantadas do caos
Nada de mal ou sujo sobreviverá
Quando os canais do fluxo avançarem na contra-mão dos erros
E os medos serão dissipados
Na correnteza de nossos passos destemidos
Saltando obstáculos por entre as pedras vivas da cachoeira
Entoando cânticos de versos incontestáveis
Deixar escorrer
Deixar molhar
Deixar desputrificar
Que as águas límpidas da vitória
Nos banhe os olhos de coragem e glória.
Gean Queiroz
abril-Rio 2009
Tuesday, August 19, 2008
EU CONTABILIZO A TARDE
EM HORAS VASTAS
TEMPO GANHO
HORIZONTES LARGOS
SORRISOS AMPLOS
O POETA É XAMÃ
TRADUZINDO OS PRECÍPICIOS DO SER
EM IMAGENS FOTOGRAFADAS NA RETINA
CONSTRUINDO ORGANISMOS DE PALAVRAS
DO QUE SE VÊ
NO QUE SE SENTE
O POETA FAZ DO CALOR
SENTIMENTO PALPÁVEL
NO OLHO DO FURACÃO DO PEITO.
Saturday, August 16, 2008
MADRUGADA QUE VAI
MANHÃ QUE VEM
A ESTRADA DO PEITO ABERTA
RUMO A SERRA DO TEPEQUEM
NÓS OS DESPERTOS
PRONTOS PARA DEVORAR O DIA
NA FOME DE AMANHECER
ANTES DO FIM DAS HORAS
ANTES DO TEMPO DOS ANIMAIS ADORMECIDOS
ONDE O CAMINHO SE ESTENDE NO OLHAR ACESO DE TANTO VERDE
O CONFORTO DE SER SOZINHO E SEGUIR JUNTO
ESTAR PRESENTE COM O PASSADO NOS OMBROS E O INFINITO À FRENTE
SEM NADA A ESCONDER DIANTE DO SOL
NADA A TEMER NA BEIRA DO ABISMO DE SER
DESBRAVADORES DA ESTRADA ABERTA
PEITO PULSANTE DE LEMBRANÇAS
ATIRANDO LONGE O PENSAMENTO
NA ESPERANÇA DE DESVENDAR
OS MISTÉRIOS DO TEMPO
QUE ENGOLE TODO O SENTIMENTO
MAS QUE NUNCA IRÁ APAGAR O QUE FICOU
PERCORRER TODOS OS QUILÔMETROS NECESSÁRIOS
PRA QUE AS RESPOSTAS BROTEM NO HORIZONTE
CRUZAR AS PONTES, OS OBSTÁCULOS, OS RECEIOS
AFIRMAS OS LAÇOS
SEMEAR SORRISOS
BEBER OS RAIOS DE LUZ
SUBIR ATÉ O TOPO DA SATISFAÇÃO
DEIXAR A IMENSIDÃO VERDE
EMBALAR DE ACEITAÇÃO O INSTANTE
NO FIRMAMENTO DE UM ABRAÇO
ENGOLIR AS MONTANHAS
E DEIXAR A CACHOEIRA CORRER POR DENTRO DO CORPO
LIMPANDO AS VEIAS, OS PÓROS, O ROSTO
DE TODA CASCA QUE AS ANGÚSTIAS
TENTARAM ENCRUSTRAR
DESLIZAR O SONHO PELAS CORREDEIRAS
QUE ACARICIAM A ALMA
CRUZAR O LAVRADO FEITO UM TAMANDUÁ
FLUINDO PRA DENTRO DA ETERNIDADE.
I
CACHOEIRA DE MIM
CORRENTEZA DO MUNDO
FLUXO DA SABEDORIA
DESLIZANDO PRA DENTRO DA ALMA
O ESTÔMAGO DA TERRA
O PENSAMENTO ORGÂNICO
A FOME
O DESLUMBRAMENTO
ETERNA CRIANÇA
QUE BRINCA DE CONGELAR O TEMPO
A CADA FRAGMENTO DE EXISTÊNCIA
SIMPLESMENTE DEIXAR-SE IR
INOCENTE E ENTREGUE
AO ACASO.
PEDRAS
TUDO SÃO PEDRAS AO SOL
TUDO É SOL
TUDO É PEDRA
RASGANDO OS CAMINHOS AO MEIO
ESPALHADAS NAS MONTANHAS
MONTANHAS SÃO CAMINHOS PARA AS ALTURAS
PEDRAS, CAMINHOS, ALTURAS
HABITADAS POR ANIMAIS SOLITÁRIOS
SENHORES DA TARDE
IRMÃOS DO CALOR
OS OLHOS SE LANÇAM
AS PALMEIRAS DANÇAM
OS TAMANDUÁS POSAM
PARA A RETINA DA BELEZA
TAMANDUÁS SÃO BELEZAS
QUE DESAFIAM A RETINA
DIONISÍACA ORGIA DO ABSURDO
AO ALCANCE DOS DEDOS
NO OLHO DO FURACÃO
O TURBILHÃO DA MENTE
SERPENTES
PEDRAS
BICHOS
GENTE
SOMOS TUDO ISSO
E O ISSO É TUDO
O TUDO É O QUE SOMOS
O QUE HÁ É ISSO
SOMOS O QUE HÁ
O QUE HÁ É TUDO.
BURACOS NA ESTRADA
SÃO PORTAIS PARA O ÚTERO DA TERRA
O SOL NAS MONTANHAS
SÃO ESPELHOS DA PERFEIÇÃO
JOGADA NA CARA DO SEGUNDO
FULLGÁS, ETERNO
O SEGUNDO FICA
OS BURACOS PASSAM
O SOL É UM PORTAL
NO BICO DO PEITO DA MONTANHA
OLHA SÓ O SOL
O SOL SÓ
NO BICO DO PICO DO TOPO
A MONTANHA FICA
OS PENSAMENTOS PASSAM
A MENTE É UM PORTAL
NO BICO DO PICO DO TOPO DO ENTENDIMENTO
CONTEMPLAR JÁ BASTARIA
ENTENDER ENTÃO
É DIVINO.
Tuesday, August 05, 2008
o cheiro de casacruza a distância
sobre um céu de breu
que adentra as narinas
sufocando de lembranças
o semblante adormecido
do menino que já não há
o que foi, enterrei no quintal
e fui pra bem longe montado num camaleão
por muito tempo
senti o odor dos cajus apodrecidos
impregnado em meus dedos
como feridas a me corroer os ossos
e não entendia porque tudo era tão estranho
ou se o estranho era eu
até conseguir entender e aceitar
que o perfume do passado
é necessário pra vida
é tatuagem na alma
é cafuné de cachoeira
é grito que explode no salto do alto do barranco
pra dentro do rio
fluxo da correnteza
que me traz de volta
na certeza
de que é nessa horta
que se prolongam minhas raízes
a lua do céu de minha infânciaé tão grande
que dá medo lembrar
e os fantasmas no escuro da casa na árvore
os gritos de meu pai
o tiro no meu cachorro doente
que não vi
mas ecoou durante anos
corri na direção oposta
seguindo as trilhas dos tamanduás e dos cavalos selvagens
saí espalhando livros e discos e filmes pelo caminho
sumi por dentro de mim
e só voltava se fosse pro colo de minha mãe
pra onde vou agora
pra companhia daquele eterno amigo
o mais lindo de todos
que nunca foi meu como eu quis
mas que talvez por isso mesmo
existe até hoje
ainda na minha rua
e a mesma cumplicidade de bichos indomados
apesar de toda a diferença
não engoli os sapos amigo
demos choque neles
jogamos pedras nos telhados
arranhamos os carros
roubamos as revistas
tocamos todas as companhias
e eu assisti de camarote você espancando os fracotes
e comendo todas as menininhas
mas fui eu que ensinei as sacanagens
pra todos os amiguinhos da vizinhança
menos pra você
que já sabia tudo e escolheu seu próprio caminho
deslizamos juntos pela madrugadacheios de fúria e curiosidade descontrolada
destilamos poemas
ao som de The Doors
e abrimos as portas da percepção
descobrindo todos os segredos da escuridão
e a revolta tornou-se guia
o ódio a tudo nos fez companhia
e eu voei pra bem longe montado nas asas de um urubu
e vi que o mundo cheira a podre em qualquer lugar
tudo está impregnado de lixo
os rios de lá estão muito mais sujos
a coisa lá ta preta
e aqui tudo é verde
tudo é mato
a lama daqui
é de frutas no quintal
de longe se vê melhor
o que já não há
mas que ficou
vivido e marcado
e que jamais será esquecido
o bom filho a casa retorna
no chão de minha terra minhas feridas vou curar
o uivo do caboclopunk vai voltar a ecoar.

Sunday, July 20, 2008

lá vem ela ou ele ou aquilo
objeto humano ou extraterrestre
ser isento de definições de gênero
caminhando serelepe saudando a plebe
com seu traje de lycra amarelo
um anti-herói no cartoon da madrugada
apenas mais um exagero de síntese do grotesco
feito a fancha bêbada na sua discussão eterna
com sua vítima entediada
ou a outra que caminha trôpega
desfilando vulgaridade explícita
na sua embriaguez exibicionista
cumprimenta a todos com tapinhas de cumplicidade
que numa resposta um pouco mais forte
a derrubaria mais adiante
o rapaz de olhos e passos vidrados
parece ter encontrado uma vítima
e depois de uma curta negociação
parte acelerado rumo a não sei onde
e volta atrasado mais bem sucedido
encontrando seu cúmplice inquieto no décimo cigarro
e entregando-lhe o conteúdo esperado num gesto rápido
fica por ali a espera do próximo vôo até o morro
os comparsas moradores da rua
agem juntos na sua mendicância eficaz
expondo ao máximo suas fraturas sem comover ninguém
vencem pelo cansaço e acumulam lucros
que serão empregados num amanhecer
cheio de sol e cachaça nas areias da praia
as bichas velhas caminham famintas e ignoradas
as afetadas espalham risadas histéricas
as malhadas assistem a tudo de cima
exibindo seus carões e músculos
sem dar trela às velhas e as afetadas nem ninguém
terminarão a noite masturbando-se
com consolos gigantes enfiados no cu
as únicas que saem ganhando sempre são as gringas
que investem caro, mas gozarão divinas
enrabadas por um ou dois garotos de programa
e além de prazer receberão de brinde um vírus qualquer
a polícia não podia faltar no circo
e arma sua barricada de extorsão
iluminando a passarela dos animais noturnos
com suas sirenes pós-modernas
rose bombom acena para eles
e parte acelerada no seu táxi rumo a baixada
provavelmente cheia de cocaína escondida em baixo do saco
depois de mais uma noite de bizarrices
que eles chamam de show no palco da le boy
os que chegam a essa hora passam direto para o darkroom
buscando prazeres rápidos com suas bocas nervosas
mãos frenéticas e gélidas carnes flácidas
uma cena em cada esquina
a favela crescendo por trás do túnel
a lua espalhando seus fluídos mais nefastos
penetrando os sentidos dos seres mais suscetíveis
entregues a todos os impulsos e a qualquer novidade
é só mais uma noite tranqüila no reduto gay de Copacabana
o mendigo acende a bagana
a puta cheira a última carreira
eu fecho a conta
e subo pro 209 do Bronx para eternizar a noite nestas linhas.
Saturday, July 19, 2008

com o olhar perdido, visualiza-se no breu a frente somente o instante presente, o vazio dos impulsos apodrecidos, de passos inconsequentemente desnecessários, que te levam através de instintos desconhecidos e incontroláveis, e te dominam na sede obscena de que algo intenso aconteça. dominados por gemidos, uivos, palavrões, suor, bocas nervosas, mão frenéticas, com a mente anestesiada, e o corpo mecanicamente entregue a perversão doentia, no toque que invade e agride, devastando qualquer pureza, destruindo qualquer desejo espontâneo e sincero… a escuridão te engole pelos testículos.

vagar incansavelmente pelas veias da cidade, seres sonâmbulos, sem nenhuma motivação além de sugar toda a química da madrugada, flutuando sobre qualquer racionalidade, cuspindo sobre as cabeças dos caretas, entregues a mais fútil casualidade, atirando aonde o alvo se mostre e o desejo aponte.

variadas poções de misturas alcoólicas, essências de transpirações corporais, odores de cavidades e becos escuros, sabores deliciantes, mágica venenosa do animal humano que desperta para uma caminhada de caça ao êxtase, que vive entorpecido de ego, em absolutas e tortuosas verdades, entre claras e iluminadas viagens.

de longe se escuta uma música bêbada, alguém sorri desesperadamente, e todos fingem manter tudo sob controle, entre palavras forjadas e passos sem direção, olhos tentam pular fora das órbitas, na ânsia muda de dizer algo, ou engolir tudo. garotas de mãos dadas, cúmplices sedutoras desfilando sexo, rapazes famintos engolem às vezes a si próprios, na carne que arde a qualquer toque, e elas por sua vez se acendem umas as outras, mantendo-se acordadas por mais tempo. e onde o tesão se abrasa, e ferve, tudo se mistura, na louca descoberta de inúmeras possibilidades.

o que nunca deveria existir, era o que estava vivo, era o que surgia na luz do dia, quando já tudo parecia concluído, o inesperado seduz com sua perigosa magia de sombras na visão quase adormecida, as horas nunca terminam, e o desejo nunca acaba, alguns orgasmos não são suficientes, não existe satisfação na madrugada obscura, nada existe quando nos atiramos no vazio, nem o eco do grito, nenhum sexto sentido para nos avisar do perigo. quando a noite acaba, o sol devora tudo, calmamente e sem piedade. é preciso acender as cores desta cidade nublada.

DO QUE EM MIM É PELE
ERA LÓGICA
DO MEMBRO QUE CRESCE
APONTANDO O CÉU
NA SEDE DO MEL
QUE SE DERRAMA
E SE BANHA
EM LÍQUIDO CELESTIAL
ERA A ÓTICA
DO QUE EM MIM É CARNE
ADERENTE A TODAS AS PARTES
QUE SE ESPALHA
E GRUDA
E APANHA NA CARA
ERA A ÓTICA
DO ILÓGICO QUE EXPLODE
ERÓTICO RELÓGIO
SEMPRE A DESPERTAR
GRITANDO ME FODE
MINHAS BATERIAS ESTÃO LIGADAS NO AMPLIFICADOR
MEUS DENTES ESTÃO RANGENDO FEITO UM MOTOR
MEU CORPO SACODE FEITO UM LIQUIDIFICADOR
DJ...QUEBRA TUDO POR FAVOR
Friday, July 18, 2008
Wednesday, June 18, 2008
Tuesday, June 17, 2008
g.q.
Monday, June 09, 2008
g.q.
Wednesday, June 04, 2008

I
Três artistas
desafio
fronteiras do pensamento
compartilhar imensas partículas de verdade
estímulos
criação
descobrir a verve do entendimento
crescimento
atingir
o topo do imprevisível
segurar na mão do invisível
estar junto
instante pleno
delírio que aponta o alvo
dispara
o tempo todo é o momento presente
a arte de estar vivo
a necessidade
de recriar o real
estar junto é uma benção
a liberdade
uma canção
o som do sentimento
carícias de tempestade
II
ato
existir fora de
minha mão canta o outro
estar longe de si
montar barreiras no campo
abrir as pernas
agir
meu rosto vento
algo que se perde
assisto espelho
rastro de pelo no ar
encontro
você
111
você quer dizer o tempo exato
onde acontece todo atrito.
Estamos antes da faísca e depois da facada
antes do bebê fora e depois
na buceta
sobrevivemos na tentativa de aceitar impossibilidades
ninguém no corpo de ninguém
tudo um sinistro organismo que nao se reconhece
cortar cabelo
roer unha
abrir ferida
aparar pedaços..........................
tudo isso
o combustível da implicância inevitável de estar vivo
Gean Queiroz, Ericsson Pires e Botika
Tuesday, June 03, 2008

O que vai ser de nós dois?
me encara o antes
me pergunta o agora
o que vem no depois
o antes, o agora e o depois
tudo junto nesse instante
em que nada é como deveria ser
e o que é já não sei
o que foi ainda grita de longe
e o que virá a ser ninguém sabe
a espera pelo que talvez cairá do céu
não conforta em nada a alma
e o tentar correr atrás
faz tudo parecer tarde demais
passado, presente e futuro
tudo junto no liquidificador do coração
decidir a vida com as mãos atadas
um nó na garganta
e um punhal apontado pro peito
buscar as respostas jogadas no lixo
remexer os cantos escuros
e só enxergar a luz bem distante
quase inalcançável
ficar aqui martelando sentimentos
na escuridão do pensamento
que não encontra saída
de olhos abertos não te vejo
mas quando os fecho você está por todo lado
de que serve amar sem tocar?
de que serve sofrer sem saber
se vale a pena esperar?
construímos castelos no invisível
plantamos sementes demais
as raízes se espalham por dentro de nós
sinto meu corpo todo explodir
e de nada adianta fugir
ou cuspir pra fora essa angústia
a que se entender o organismo
da incapacidade de se decidir o que sentir
pois tudo segue crescendo continuamente
engasgando a gente de tanta saudade
mastigando os órgãos do corpo sem piedade
não existe freio, só existe o tempo
uma espera estúpida e frustrante
uma porrada na cara do amor
um soco no estômago de nossos sonhos
foi isso que a gente plantou?
Que estrada é essa que a gente pegou?
Engolir a distância a seco
secar as lágrimas
deixar escorrer todo desejo pelo ralo
tudo escapando por entre os dedos
o antes embriaga
o agora cega
e o depois...
só pergunta sem parar
o que vai ser de nós dois?
Monday, June 02, 2008
as vezesquantas vezes
eu me canso de mim mesmo
as vezes duram meses
as vezes anos
muitos anos duram esses
meses quase tantos
que as vezes
eu me esqueço
de mim mesmo
em algum canto
e quando eu vejo
eu me espanto
do meu esquecimento
naquele momento
e as vezes eu penso
que eu entendo
aí eu me canso
do meu pensamento
as vezes duram dias
as vezes semanas
muitas semanas duram esses dias quase tantos
que as vezes eu me levanto
e me esqueço que eu me canso
de ficar esquecido num canto
aí eu me lanço
fora do tempo
levado por um vento
que as vezes é lembrança
outras esquecimento
as vezes duram alguns segundos
poucos esses
que me fazem voar
pelo espaço
as vezes
quantas vezes
eu vou fundo
dentro de mim
fora do mundo.
g.q.
Sunday, June 01, 2008

o som do jazz
o mundo aos nossos pés
tudo ao alcance das mãos
idéias rolando pelo chão
carências se dissolvem sob a chuva
a gente rege a tempestade
direciona cada raio
de olhar
magnetiza a existência
eterniza o instante em versos
o imprevisível fluir de cada gesto
a fumaça sumindo no ar
a cadeira suspensa que gira
o som do pensamento
inevitável deixar-se ir
corredeiras da alma
simplesmente sentir
sem medo de errar o alvo
gosto dessa calma
de estar aqui
com fome de tudo
e a certeza de poder esticar o braço
e alcançar a fonte
entregar o ouro
e fincar raízes no impossível
quando acabar a gravidade
vamos planatar sementes
na imensidão
gean queiroz e beatriz provasi
domingo chuvoso, no inverno do rio de nós dois
Saturday, May 31, 2008
mas que está implícito no imprevisível
que surge a qualquer instante?
onde está o agora?
no que se baseia o desejo?
o óbvio é a consequência da ansiedade
que devora a própria fome
a ânsia de viver
assassina a própria vida.
g.q.
e me sangram raios de luz pelos olhos
escorro pra dentro da escuridão
acendendo brilhos pelas montanhas
feito um vagalume bêbado
inconsequente espalho indecisões
indefinível meu vagar no espelho
reflito o caos na face
devoro enigmas pela orelha
despregadas de mim estão minhas asas
meu vôo tem vontade própria
alheio a todos os meus abismos
desapareço em precipício
g.q.
Friday, May 30, 2008
palavra e atitude.....gean e biaque bicho me deu?
eu queria ter a liberdade de um bicho preguiça subindo na árvore com o filhote agarrado no colo
queria essa liberdade agarrada, aconchegada, lenta e macia
não quero medir liberdade em tamanho das asas, altitude do vôo, no canto triste de um pássaro solitário que risca o horizonte
não quero a liberdade assim ao longe
quero antes a liberdade dos macacos catando piolhos nos outros
a liberdade dos vira-latas que acasalam nas ruas e cheiram-se os rabos despreocupados
eu quero a liberdade dos pombos que se reproduzem nas praças não se sabe como (ninguém jamais viu filhote de pombo!)
eu quero a liberdade dos coletivos dos bichos
colméias, cardumes, manadas
juntos por instinto de sobrevivência e mais nada
a liberdade não é sozinha
a liberdade é
o ser livre não se pensa livre
é
e eu, que tanto me penso livre
e não sou
quero voltar ao meu estado bicho
meu grito é o cio de um gato selvagem
o uivo de um lobo que sempre se cruza com outro
como o canto de um galo
uns que tecem noites
outros, as manhãs
e o cio do gato que tece o desejo por outro gato
gatos também choram?
sei que até os leões sangram, que todo animal tem medo
mas bicho reage, não reza
bicho até foge
só não fica parado
só bicho-homem se deixa ser massacrado
animal racional?
eu não, eu quero a irracionalidade, o instinto, a mais pura liberdade
eu quero o veneno da cobra pra me defender
enquanto os homens se envenenam a si mesmos e vagam mortos de olhos abertos
eu não me deixo tão fácil abater
antes de tudo,
eu quero viver
beatriz provasi
atrás das gradesa palavra arde
o sangue esquenta nas veias abertas
do céu que escorre pra dentro da jaula
o desejo inerte paralisa o instante
dos que esperam por algo chamado liberdade
travestido de justiça
armados de pretenciosa audácia
adentramos o inferno
encaramos o demônio
e vomitamos nossos medos pelo chão sujo
e fizemos brotar flores pelos cantos húmidos
borboletas do musgo
pássaros apareceram atravessando as paredes
e soprando canções pelas frestas
acordando a surdez do presente insano
e acendendo na escuridão dos sentimentos
apodrecidos pela esperança estagnada
as cores dos versos banhados em lágrimas
olhei nos olhos de meus fantasmas
e encarei de frente
minha própria farsa hipócrita
de ser um livre cidadão
seríamos qualquer um de nós mais livres
que aqueles que ali estavam?
como disse um deles,
"a pior prisão é a da própria mente"
seria eu mais ou menos criminoso
que qualquer um daqueles espíritos trancados?
não sou mais isso, nem menos aquilo
somos todos parte do mesmo crime perfeito
planejado pelas mesmas tramas de um Deus
que assiste a tudo do alto
sem entender o que foi que deu errado
adentramos o inferno
com a única arma que nós tínhamos
nossa arte
olhei nos olhos de meus demônios
e tive medo
de mim mesmo
poesia
livrai-me de todo mal.
g.q.
(poema escrito após a visita dos Voluntários a carceragem de Nova Iguaçú)
ELE DISSE, ELA DISSE
DECODIFICAÇÃO DA MENSAGEM
É TUDO MENTIRA
É TUDO VERDADE
ACREDITE QUEM QUISER
E DESMINTA SE PUDER
PROVE O CONTRÁRIO
ATIRE NO ÓBVIO
ATINJA NO ALVO
DO QUE NÃO FOI DITO
PRA QUE FIQUE VIVO
SANGRANDO NAS ENTRELINHAS
O ESCRACHO
O ESCARRO
O ESCATOLÓGICO SENTIDO
DO TROCADILHO
BEM COLOCADO
FAÇA O DITO
DIGA O ATO
PESQUE PALAVRAS NUM AQUÁRIO
BENDITO SEJA
O PRIVILÉGIO DA INCERTEZA
SE A VERDADE ESTÁ NA MESA
DEVORE-A
SEM MEDO
MENTIRA
MATA DE FOME.
G.Q.
Monday, March 24, 2008
SE LAMBUZANDO NO LEITE DA PALAVRA:*A dupla do prazer ( Cairo e Denizis)
* Sabasauers ( Movimento In verso )
* Madame Kaos ( Juju Hollanda, Bia Provasi, Marcela Giannini)
* Voluntários da Pátria ( Betina Kopp, Edu Planchê, Igor Cotrim,
Bayard Tonneli, Glad Azevedo, Pedro Poeta, Tavinho Paes, Tico Santa Cruz)
* Lidoka
*Rosalia Milstajn
* Eduardo Tornaghi
*Guila Sarmento
*Xisto Cunha
* Abismos Poéticos ( Adriana Monteiro de Barros , Carluxo, Joca )
Após a poesia / DJ JUNKIE - ELETRO/ROCK/DISCO/POP
FOSFOBOX - RUA SIQUEIRA CAMPOS 143- LJ 22A-COPACABANA
ATÉ 00H R$10 / APÓS OOH R$15 / COM FLYER R$ 10
Wednesday, January 23, 2008
Tuesday, October 16, 2007
Para encontrar um pouco de calor neste dia em que os vidros da janela me amanheceram salpicados de diamantes, me agarrei aos poemas de García Lorca, espalhei minha infância pelo apartamento, e caminhei descalc,o no quintal de minha casa sentindo o cheiro de mangas e cajus, mas o chão estava gelado e tive que colocar minha meias, e a música de tom waits me falava de uma garota triste e solitária com aquela voz rouca de álcool e morte, e escrevo tomando meu yogurt com maçãs e peras que eu mesmo colhi em nosso jardim, e nada disso me é familiar, e nada disso tem o cheiro de minha infância,exceto esse gosto de solidão e melancolia que sempre esteve comigo, as vezes até no dia mais ensolarado, quando subia na casa da árvore e ficava por lá deitado encolhido esperando que algum coleguinha da vizinhança viesse me aquecer com fantasias cheias de calor, mas eles quase nunca vinham, e ficava eu, e a sombra das nuvens que aparecíam deixando o quintal escuro e cheio de fantasmas e com os gritos de meu pai soando altos e constantes, e a eternidade vulnerável desta fotografia me aproxima ainda mais de meu companheiro Lorca, nós dois carregamos mais fantasmas que qualquer sobrevivente de qualquer guerra, pois nossa batalha arrasta multidões de sofredores na alma que passaram por nossas vidas num mínimo instante e nos sugaram palavras, e sorrisos e nossa generosidade de abrir-se tão rápido e espalhar segredos e respostas para qualquer desconhecido, e caminhar lado a lado descobrindo belezas ocultas, apontando mistérios e abrindo horizontes, como este que abre-se agora me invadindo com um sol que tenta me tirar daqui nestes raros momentos de ternura em minha escrita companheira de todas as tristezas, logo agora que a chuva me trazia tantas inspirações, não quero sair, e vou molhar os vidros da janela com minhas lágrimas, e manchar de sangue minhas lembranças de frutas apodrecidas pelo quintal, pois aqui como em qualquer lugar, os dias seguem cheios de fantasmas, e eles são tão velhos, atravessam todos os séculos assassinando poetas indefesos, tanto como os daqui que se atiraram em mares congelados do alto das torres dos castelos, como os que encontrei em Barcelona, buscando por Lorca pelas esquinas sem nunca encontrar nem resquícios de sua poesia, e assistindo o desfile dos vagabundos e prostitutas e bêbados por todas as ruas por onde um dia caminharam artistas geniais que escreveram coisas incríveis e pintaram e ergueram prédios alheios a este futuro de fome e gente desesperançada, Gaudí, suas sacadas estão infestadas de turistas que não compartilham teus sonhos de tanta beleza construída de pedras e vento, Dalí, teus peixes voadores e criaturas fantásticas estão trancados em museus que cheiram a velharias, enquanto o lixo se espalha e os mendigos pedem esmolas do lado de fora, Lorca, os artistas de La Rambla estão mudos, são estátuas que movem-se por uma mísera moeda que não desperta uma única palavra de misericórdia que seja, e são tão poucas migalhas, porque estão todos tão pobres, porque foram assaltados por um dos milhões de ratos que espalham-se por esta Barcelona moribunda, Buñel, as formigas invadiram os cerébros e os porões dos velhos cinemas destruindo qualquer vestígio de criatividade dos celulóides, e nem todo surrealismo do mundo poderá nos salvar desta verdade que arde sob este céu onde um dia Lorca foi assassinado por desprezíveis fascistas, será que eles assassinaram todos os poetas? Sentei num café qualquer assistindo o desfile dos travestis, esperando que Almodóvar apareça para reacender as cores e os sentidos e a genialidade desta cidade que já foi um dia.
Wednesday, October 10, 2007

Viver é urgente.
Não temos asas, mas é preciso permitir-se o vôo,
montados sobre o tempo, este sim,
que passa feito um pássaro.
É preciso estar atento, se não, perde-se de vista tão rápido,
é natural, somos todos parte do mesmo organismo, o mesmo ciclo e planos superiores,
alheios que estamos a tudo nos entregamos,
e atiramos o olhar na distância, esta sim,
infinita, intocável.
Até que nossos passos desliguem-se de gravidades
e caminhem sobre as nuvens, que passam
desenhando sonhos. Nuvens são urgentes. Sonhos são pássaros, tão rápidos.
É preciso estar acordado, se não, a vista não alcança a distância,
é natural, somos todos limitados seres humanos,
paralisados ficamos de cansados que estamos,
alheios a velocidade de nossos desejos,
intântaneos são esses, deliciosos de tantas descobertas, tudo o que buscamos,
na paisagem,
que mostra-se feito mágica, cegos não estamos.
E quando tudo acende-se de tanto sol,
o pensamento atira-se no horizonte, e o horizonte é lindo, é aberto,
é perfeito de tantas não certezas, e tudo vem
tão imenso de tantas possibilidades,
que não precisamos esticar um dedo, é só deixar-se ir.
Ir é vital. Imóveis não podemos estar.
Certezas são tristezas.
O horizonte é alcançável.
Nuvens são instântaneas.
O tempo passa montado num pássaro.
É preciso estar atento.
O olhar agarra a distância na velocidade do instante em que a paisagem se abre
no horizonte entre as nuvens que o pássaro atravessa com o tempo montado nas costas.
g-ã
Tuesday, October 09, 2007
O verão acabou, e pronto, aqui não tem essa história de verão eterno, acaba e pronto, com data marcada e tudo, não adianta chorar nem lamentar, ou faz as malas e se manda pruma ilha no caribe, ou vai pegar uns resquícios de sol num balneariozinho aqui mesmo pela Grécia ou na Espanha, ou volta pro Rio baby, porque lá sim se pode falar em verão eterno. Agora tá frio de rachar, e não adianta se iludir com esse solzinho e sair de camiseta pra escrever nos jardins do castelo, que vai voltar pra casa todo congelado e sentar aqui confortavelmente tomando um cházinho e escrevendo no laptop vendo o céu azul pela janela do apartamento quentinho, calor agora é saudade, é distância, é nostalgia, é passado, e o verão passou tão rápido que quase ninguém viu, aliás o verão não passou, porque o verão não veio, e agora fica todo mundo lamentando que o verão foi fraco, e ninguém presta atenc,ão em como as árvores estão lindas com as folhas todas vermelhas e amarelas, mas talvez seja melhor assim, pelo menos para esses suecos masoquistas e sofredores, como sofre este povo, se o verão tivesse sido bom, sobre o que estaríam eles reclamando agora? Não teria assunto, melhor assim, ficam todos mais animados reclamando da vida pelas esquinas com seus casacos e luvas e gorros e cachecóis que acabaram de sair do ármario, comprados da colec,ão de inverno de não sei quantos anos átras, afinal inverno é tudo igual meu filho, frio e cinza, não importa, mas calma, ainda estamos no outono, que chegou com data marcada como já disse, é tempo de reclamar do verão que foi uma merda, e se você não trabalhou feito um condenado como o espertinho do Hank faz a anos, pra economizar um dinheirinho e se mandar quando a coisa esfriar de verdade, vai amargar um inverno destruidor e alguns longos meses sem ver o sol nem o céu, não é mole não, ô povinho sofredor esse, e sofrimento aqui na Suécia é coisa séria, seríssima, com esse verão fuleiro desse ano então, não vai demorar muito pro povo comec,ar a se matar, e alguns deles vão matar a famíla inteira antes de estourar os miolos, é , sofrimento aqui não é de fome nem de falta de emprego, afinal você ganha salário até se estiver desempregado, também não tem violência nem niguém se agredindo por aí, no máximo umas quebradeiras de garrafas pelas ruas depois das duas da manhã quando tudo fecha e você é obrigado a voltar pra casa, afinal qualquer ser humano tem o direito de se revoltar com uma festa que acaba as duas da manhã, aqui também não tem desigualdade social, e qualquer faixineira pode ter sua lancha _que ficou estacionada esse verão_ e qualquer caixa de supermercado pode ter seu MG conversível e sua casa de verão na beira do lago e passar seis meses no Brasil só coc,ando o saco, como é o caso do hank, então, porque sofre tanto esse povo meu Deus? Por que o índice de suicídio aumenta a cada ano, se tudo aqui funciona tão perfeitamente? Talvez aqui esteja a chave do mistério, o ser humano não foi feito para ser assim tão perfeito, é preciso permitir-se algumas intransigências e descontroles e loucuras pra que a engrenagem funcione, é preciso algum esforc,o pra que a coisa ande, alguns obstáculos pra que se valorize a conquista. Que merda é essa que eu estou escrevendo? Esforc,o? Obstáculo? Quero mais é catar meus morangos nos lindos campos silvestres de manhãzinha e reclamar das dores nas costas pro meu amor fazer uma massagenzinha gostosa quando eu chegar em casa, quero mais é trabalhar duas vezes por semana no supermercado e ganhar o dobro do que eu ganharia trabalhando o mês inteiro na Sendas no Brasil, mas sem esquecer de me sentir um pouco ridículo com aquele uniforme de mecânico de filme pornô, quero mais é pegar um avião quase de grac,a e passar uns dias batendo perna em Barcelona, mesmo que lá a coisa parec,a estar mais preta do que no Rio de Janeiro, com todo mundo sendo assaltado em todas as esquinas, viu, vida fácil é duríssima, e com esse verãozinho então. O buraco aqui é mais em cima, é o oco que se produz na mente, o vazio da ausência de sentimentos verdadeiros, aqui o que pega é o tédio, o praguimático, o cálculo, o artificial, o sistemático, é tudo tão friamente calculado, que qualquer desajuste parece o fim do mundo, e dá-lhe gente se jogando dos prédios, e tomando veneno, acendendo o gás, se jogando na frente do metrô, porque tá frio demais, e eles foram obrigados a ficar trancados dentro de casa com a família que eles odeiam, e agora todos estão olhando torto pra você, porque você não procura emprego desde que você quebrou o dedo a dois anos átras e vive as custas da pensão que o governo paga pra você não fazer nada, oh não, tem alguma coisa errada comigo, vou me matar, pow. A outra quer viajar mas não tem com quem deixar o cachorro que está muito velho, e já fazem anos que ela está esperando o cachorro morrer, e agora é ela que quer morrer, pegou um acorda, amarrou no celeiro, já era, ficou o cachorro moribundo lambendo os pés dela. O rapaz sensível, só consegue se satisfazer no inferninho gay escuro em Amsterdã que ele visita regularmente, e a família tenta jogar qualquer loirinha vagabunda pra cima dele o tempo inteiro, ninguém entende porque ele prefere estar solteiro, e aquela moc,a tão linda e tão perfeita agora está interessadíssima, oh não, se jogou do oitavo andar, rapaz sensível não aguentou o frio. Por aí vai, eu, também já tirei todos os meus acessórios do ármario, depois dessa última caminhada até o castelo de camiseta, já tomei meu cházinho quente e vi o pôr-do-sol pela janela aquecido aqui escrevendo e agora vou acender todas as velas e preparar uma comidinha pro meu maridinho que vai chegar cansado e manhoso do trabalho no supermercado, e depois vamos assistir um filminho grudados comendo pipoca debaixo do hedredom, e fazer amor com a lua linda que já está nascendo iluminando o jardim, bom, isso seria o ideal aqui nesta perfeita vidinha sueca, mas talvez eu continue aqui sentado sem fazer nada, e o hank chegue estressado e com fome e fique mais irritado ainda quando ver a louc,a toda suja, e talvez só esteja passando um filme do Bergman desses bem deprê, e talvez meu querido amor queira dormir sozinho hoje, e eu resolva sair pra caminhar e congelar a alma com essa lua tão perfeita, e talvez eu me jogue nessas águas congeladas e saia nadando pra tentar chegar até o Rio, onde felizmente quase tudo está desordenado e absolutamente ninguém é perfeito, e o sol vai nascer rachando no arpoador de qualquer maneira, e pronto.

Sunday, September 09, 2007
NOSSA FESTAEU QUERO ENGOLIR O SILÊNCIO
E CUSPIR MINHA FÚRIA ELETRO PUNK NA CARA DAS PESSOAS
VOCÊ ME TRAZ FLORES E EU TE DOU MEU GRITO
VOCÊ NÃO QUER DANC,AR COMIGO MAS EU INSISTO
VOCÊ ME BEIJA EU TE VOMITO
EU VIRO O MUNDO DE CABEC,A PRA BAIXO
SÓ PRA VER TUDO DE OUTRO ÂNGULO
ESPALHO TUDO QUE PRECISO A MINHA VOLTA
ASSIM FICA TUDO MAIS FÁCIL
É SÓ ESTICAR O BRAC,O E AGARRAR TEU SEXO
ASSIM NÃO ME PERCO E PODEMOS SUBIR JUNTOS PELAS PAREDES
FEITO OS RECORTES DAS BANDAS QUE AMAMOS
AS VELAS ESTÃO ACESAS E AS EXPECTATIVAS E OS ANSEIOS DE PRAZER
OS INVEJOSOS E EGOÍSTAS TAMBÉM VIERAM
VAMOS FAZÊ-LOS ESPERAR HORAS NO FRIO LÁ FORA
E DEPOIS QUE ENTRAREM VAMOS ATIRÁ-LOS PELA JANELA
ELES NÃO MERECEM NOSSA MÚSICA CELESTIAL DE JUVENTUDE INCANDESCENTE
ELES NÃO SABEM DANC,AR OUTRA COISA QUE NÃO SEJA
ESSE BATUQUE AFRICANO QUE ESTÁ INCRUSTADO NOS SEUS OSSOS
AFRICANO É MEU CARALHO MEU AMOR
QUE EU BATUCO COM MILHÕES DE SOCADAS NO ÂNUS DO FUTURO
ENTÃO ME CHUPA COM TODOS OS LÁBIOS E TODOS OS SEUS DENTES EUROPEUS
QUE A ÀFRICA TÁ PERTO E A BAHIA É LOGO ALI
E NOSSA INTELIGÊNCIA VAI MAIS ALÉM DO NOSSO PRÓPRIO UMBIGO
EU QUERO TEU SORRISO REPLETO DE DESCOBERTAS E AGRADECIMENTOS
EU QUERO TUA CURIOSIDADE DESCONTROLADA E TUAS PALAVRAS DESCONEXAS
EU QUERO TEU RITMO INSANO DE MOVER-SE LIVRE PELA VIDA
ESPALHANDO AMORES PELOS CONTINENTES
JOGANDO FILHOS NO MUNDO COMO QUEM FAZ UM NOVO AMIGO
ESTOU TÃO EXCITADO QUE QUERO QUE A VIZINHANC,A TODA ME ESCUTE
QUERO FAZER UMA CIRANDA ATÉ QUE NOSSOS CORPOS BRILHEM TANTO
E ESPALHEM NOSSA LUZ INEBRIANTE PELO MUNDO INTEIRO
E TODAS AS CRIATURAS REPLETAS DE CONFUSAS IGNORÂNCIAS
IRAM RENDER-SE A NOSSA INFÂMIA PUREZA DIONISÍACA
OU ENTÃO CORRERAM PARA BEM LONGE FORA DO MUNDO E DO NOSSO OLHAR
DE NOSSA GENTILEZA DE ABRIRMOS AS PORTAS PARA QUEM NOS BRINDE SORRISOS
E NADA MAIS, DANC,AREMOS UM TANGO QUE ATRAVESSARÁ A ETERNIDADE
PONHO MILHÕES DE DISFARCES E NOSSO OLHAR NÃO SE PERDE
ESSE É O NOSSO MUNDO, TEMOS ÁLCCOL, TEMOS ERVAS
TEMOS GUITARRAS CORTANDES NA GARGANTA
E BATIDAS ELETÔNICAS NO CORAC,ÃO
TEMOS OS SENTIDOS DESPERTOS E OS OLHARES ACESOS
TEMOS MÚSICA DIVINA DOS DEMÔNIOS EVOLUÍDOS
QUE ALCANC,ARAM O CÉU COM SUA OUSADIA DE NÃO ACOMODAR-SE NUNCA
TEMOS INFINITOS TAMBORES SOANDO QUANDO NOS ABRAC,AMOS
A FESTA SOMOS NÓS, QUANDO ESTAMOS JUNTOS
DIVINAMENTE PUROS E SUJOS E SINCEROS E PERVERTIDOS
PORQUE DO CAOS NASCERÁ O NOSSO AMOR.
G.Ã KEI-R-OZ

Monday, August 27, 2007
Tuesday, August 14, 2007

UMA VIAGEM NO TEMPO
ÉPOCA / IDADE MÉDIA
DESTINO / UMA DISTANTE ILHA VICKING
A MAIOR AULA PRÁTICA DE HISTÓRIA DA MINHA VIDA
Esse verãozinho chuvoso de merda não deu trégua naquela manhã, mas nada poderia diminuir nossa alegria de pegar um barco pra ilha mais famosa da Suécia, Gotland, quatro dias na ilha da fantasia totalmente equipados, vai ser o máximo, é a ilha onde morava o genial Ingmar Bergman que morreu esta semana, se Bergman depois de fazer tantos filmes incríveis veio passar o fim de seus dias por aqui, é porque o lugar realmente deve ser especial, e agora estamos eu e meu amor neste navio, e ele está me levando pra uma ilha bela e distante, e eu vou, mesmo que fosse um deserto, mesmo que fosse o inferno, e assisto o filme ”A rainha” totalmente confortável no meu luxuoso assento com vista para o oceano, o que aumenta meu sentimento de nobreza, me sinto a própria princesa Diana no seu momento de glamour merecido longe dos papparazzis, que mulher surreal, nos poucos momentos em que ela aparece no filme quase consegue roubar a cena da fantástica Helen Mirren que interpreta a rainha, não vou descer deste navio sem dar uma bela cagada para deixar qualquer merda para trás. Chegamos nesta que é uma ilha de verão e não tem nenhuma mulher dançando ula-ula oferecendo colares havaianos, está chovendo e nós ficamos pensando que acampar talvez não seja uma boa idéia, quer saber, é aquela história quem tá na chuva blá blá blá, fomos para o camping nas bicicletas, é, viemos de bicicleta, primeiro no ônibus, depois no navio e agora pedalando na ilha do Bergman, cruzamos pelo centro e já deu pra perceber um pouco do que o lugar tem para oferecer, garantindo assim o ânimo pra montar barraca debaixo de chuva, beleza tá fraquinha, o camping é lindo de frente pro mar, show…….
Daqui pra frente um aviso, se você é uma daquelas pessoas que se incomoda com o prazer alheio, quando alguém conta uma conquista você duvida, vê um folião mais animado no carnaval logo conclui que ele deve estar bêbado e drogado, quando alguém está sorrindo é porque está querendo aparecer, se você acha que o paraíso e a plena felicidade não existem, então pode parar de ler por aqui mesmo, porque as linhas a seguir estão repletas de uma satisfação tão abundante que talvez nem Mick Jagger tenha sonhado, todos os acontecimentos apartir deste momento e em todos os segundos dos quatro dias seguintes são de uma magia inebriante, coisa para acordar a criança no peito e fazer um homem chorar por dentro a cada passo, a cada nova surpresa, um delírio cinematográfico tão inédito, que eu só posso buscar nas minhas referências algo entre Robin Hood, Peter Pan, O senhor dos anéis, Asterix e Obelix e todos aqueles filmes com piratas, castelos e cavaleiros tentando salvar a princesa, só que aqui não tem batalha nem dragão nem perigo algum nem indíce mínimo de stress, tudo está friamente preservado de não sei quantos milhões de anos atrás e batido no liquidificador com o que há de mais moderno, o antigo e a sofisticação, o rústico e o conforto, minhas primeiras impressões me levaram a lugares como Paraty, Santa Teresa, Ilha Grande, Búzios, mas aí eu posso jogar tudo isso junto neste cocktail misturado com uns anabolizantes poderosos, umas ervas finas e uns cogumelos potentes, e não adianta você falar ”_Haxixe bom esse que você levou hein Gean_”, não, não foi o haxixe, não foi o amor que trago dentro de mim e que senta ao meu lado e admira a paisagem comigo com lágrimas nos olhos, não foi isso, foi o lugar, então sem economizar nos superlativos, vou usar quase todos que conheço numa só frase e sem me preocupar com gramática vou repeti-los incansavelmente até o final deste texto
foi o lugar, absolutamente único, completamente fantástico, totalmente mágico, deslumbrantemente belo, incrivelmente imprevisível…eu avisei pros céticos pararem lá em cima, mas se você veio até aqui e quer seguir junto comigo, é porque assim como eu, você sabe que a vida nos reserva surpresas e prazeres que estão muito além de nossas expectativas e que todos nós merecemos ser surpeendidos pelo novo e que se um amigo está feliz e compartilhando isso com a gente, seja de que forma fôr, isso acende a chama da felicidade dentro da nós, e então seguimos todos juntos, cada um com suas conquistas ao redor do mundo que é tão grande tão surpreendente tão misterioso, e quando realmente sentimos essa conexão dentro da gente, a comunicação chega a tornar-se telepática, e ficamos felizes e pensamos em alguém distante sem que este alguém nos conte nada, por isso meus amigos sintam-se felizes comigo, pois estou transbordando como talvez nunca na vida. De uma só vez entendi tudo o que os suecos são, porque, como, o que eles pensam e de onde vem isso tudo, porra, que loucura que é a cultura de um povo, a história constrói a vida de uma forma fantástica. Hank é um vicking fudidamente autêntico e visceral, ele sabia tudo, sabia que a previsão do tempo garantiu sol absoluto nos próximos dias, sabia que iríamos chegar em plena abertura da semana medieval, o maior encontro deste tipo na Escandinávia, comprou barraca nova, trouxe o edredom, fogãozinho, as batatas, o presunto, o atum, as bicicletas, as cervejas, o vinho e a latinha de 51 contrabandeada do Brasil, tá bom o haxixe fui eu quem trouxe, mas eu sempre entro com essa parte, ele sabia tudo e só me deu a dica de que era um dos lugares mais bonitos da Suécia, tá bom, a Suécia é linda, Estocolmo foi o máximo que eu havia visto até agora, mas essa ilha é uma coisa fora da realidade, no que se refere a magia, ao antigo, a cultura sueca, a história que está totalmente viva nas suas ruelas de pedras e túneis e ruínas e muralhas e castelos, e ao mesmo tempo é mega realidade, no que se refere ao glamour, a estrutura do prazer montada em torno desta cultura tão autêntica, tudo isso de frente pro mar com kilômetros de praia e sol gritando. Cada nova esquina uma nova descoberta, cada praça, cada café, cada barzinho, e ainda curtimos um rock’n’roll num suterrâneo ali, e dançamos um eletro de primeira mais adiante, tudo lindo demais, porém ainda não tinha aparecido o sol até então e chovia de leve.
Mas na manhã seguinte, acordei botei a cara pra fora da barraca e o céu era de um azul cintilante, olhei em volta e pensei que estava em não sei que século atrás, eram vickings, magos, duendes, piratas, membros da côrte, plebeus, arqueiros, esfreguei os olhos mas eles continuavam lá, fui caminhando me misturando e vi que não era um ou outro que estava assim caracterizadoS, eram quase todos, famílias inteiras, esquentando o café no fogo, fazendo pão, sei lá, depois fui observando os contrastes, vi uma princesa falando no celular, um grupo de guerreiros posando pra foto, uns piratas ouvindo heavy metal e vários deles cheios de piercings e tatuagens, mas os trajes, totalmente fantásticos, não era fantasia, era de verdade, todos estão ali para celebrar e experimentar por alguns dias a forma como viviam seus antepassados. Os suecos definitivamente sabem acampar, eles trazem tudo e um pouco mais, montam uma casa inteira debaixo de uma árvore, alguns em seus trailers e outros em barracas de tudo quanto é jeito. Passeamos pela cidade que é um enorme museu vivo, tudo, cada cantinho, cada janela, cada pedra conta uma história, e dá-lhe vickings passando pra lá e pra cá, na feira onde era o centro do encontro de todos, acho que só tinha eu, o Hank e mais alguns gringos vestidos como em nosso século, era um desfile atemporal dos mais diferentes tipos históricos, e também as mais autênticas demonstrações do estilo de vida da idade média, as vezes me parecia que eu estava dentro de um desenho animado dos Flintstones, e era tudo tão de verdade, alguns exibiam longas barbas, as mulheres com cabelos até a cintura, crianças travando duelos de espadas, final da tarde armamos nossa cozinha na beira do mar, e era possível ver ao longo de toda a orla vários grupos reunidos fazendo a mesma coisa, cozinhando em fogueiras ou em fogãozinhos estilizados como o nosso, e admirando o pôr-do-sol, depois de três meses sem ver o sol direito, contemplar um entardecer espetaculoso como aquele numa ilha tão incrível realmente me deixou abobalhado de emoção, e comemos bebendo vinho branco, de longe uma gaita de fole soava para abençoar o dia, haxixe na mente, estávamos fudidos na alma. No domingo montamos nossas bicicletas e como bravos guerreiros e pegamos a estrada para dar um rolé pela ilha e ir até a principal praia de Gotland, foi mais de uma hora de pedalada, e eu tratei de avisar hank que ou a gente conseguia uma carona pra voltar ou eu ía dormir por lá mesmo, e que praia meus amigos, não perdia em nada pruma Ipanema dessas da vida, tanto pela vista quanto pela multidão que disputava o metro quadrado de areia, curtimos por lá o dia inteiro como duas crianças que estavam no mar pela primeira vez, ai ai, o que um bom dia de praia é capaz de fazer no astral de uma pessoa, por lá não tinha trajes de banho medievais, mas era um show de gente linda de deixar tonto, e na volta bicicleta no bagajeiro do ônibus, relax. A noite, remexi o guarda-roupa de nossa barraca para buscar o que de mais medieval eu poderia encontar e montei um figurino meio bobo da corte para poder me misturar a massa com mais estilo, fomos para o Clematis, o lugar mais tradicional da época dos vickings que tem na área, foi surreal, uma caverna à luz de velas totalmente lotada da fauna histórica, onde se pode beber vinho direto do barril numas canecas de barro, a certa altura começou a jam session medieval, o lugar foi ficando quente, os ânimos excitadíssimos, as pessoas batendo e dançando por cima das mesas, os músicos com seus instrumentos exóticos não paravam de chegar e tocar, foi algo inédito e fortíssimo na minha vasta experiência festiva, para encerrar com chave de ouro esses dias tão absurdamente surpreendentes. 
Foi difícil deixar a ilha na segunda-feira depois de prolongar o passeio mais um dia, a vontade real nossa era ficar por ali naquela viagem no tempo o verão inteiro, todo mundo se sente um pouco assim quando viaja pra um lugar tão especial, mas eu tenho um problema seríssimo, porque eu realmente não vou embora, eu fico e pronto, se hank não tivesse me arrastado eu tinha ficado, e ainda sofro de um problema maior de pós-trip, entro em depressão profunda, quero voltar, e não consigo parar de pensar nisso, quando o navio começou a se afastar de Gotland senti como se uma espada vicking estivesse furando meu peito, e chorei ouvindo ”No cars go” do Arcade Fire no freestyle, essa que foi a música oficial de toda a viagem, um hino para enfrentar qualquer batalha e sair galopando pelos ares conquistando terras distantes. Mas quando chegamos de volta a Kalmar fez um sol tão fantástico, as praias cheias de gente, tudo tão bonito, deu pra amenizar o sofrimento de pensar em quando voltarei para aquele lugar tão mágico, foi a maior aula prática de história que já tive, e agora posso até entender um pouco mais como os suecos ficão histéricos quando bebem, é o vicking que eles trazem dentro que desperta, e eu, esse amazônida carioca também vou carregar minha porção medieval junto comigo muita mais viva e presente apartir de agora.
g.q.
Thursday, August 02, 2007

AS DISTÂNCIAS SÃO PESADAS COMO UM MONSTRO
QUE ANDA DESPERCEBIDO FAZENDO A LUA TREMER COM SUAS PEGADAS.
A LUA CHEIA ACENDE O PAVIO DA MELANCOLIA
QUE É CURTO COMO UM SUSPIRO E RÁPIDO COMO UMA LÁGRIMA
QUE SE APAGA NUMA NUVEM QUE O VENTO NÃO LEVA.
O VENTO FRIO É CORTANTE E FERINO COMO LÂMINA
QUE REPARTE A NOITE EM PEQUENAS FATIAS DE SILÊNCIO FULMINANTE.
O SILÊNCIO RASGA A ATMOSFERA E PENETRA O CORPO
PARALISANDO OS SENTIDOS E CALANDO A VONTADE CEGA.
A VONTADE É UMA VELHA INVÁLIDA
QUE ASSISTE A VIDA PASSAR SENTADA NA JANELA.
DISTÂNCIA PESA COMO A LUA, COMO UM SUSPIRO, COMO LÁGRIMA,
COMO NUVEM, COMO O VENTO, COMO A NOITE,
COMO O SILÊNCIO.
DISTÂNCIA PESA COMO LEMBRANC,A
COISA INVISÍVEL QUE O OLHAR NÃO ALCANC,A.
Tuesday, July 31, 2007
Lá fomos nós pro tal do karnaval de Landskröna, é karnaval com k mesmo, já comec,ou por aí né, entrei na internet e vi que na programc,ão ía ter samba, salsa e bossa nova, beleza, vamo matar a saudade um pouco do swing brazuca latino. Aonde eu fui amarrar meu trailer? Furada atrás de furada, chegando lá botaram a gente nos cafundós de uma esquininha qualquer de frente pra uma parede com um porto lindo atrás com banquinhos de prac,a e tudo, burrice da braba, e dessa vez não íamos usar o trailer e tivemos que tirar toda a parafernália, e põe parafernália nisso meu amigo, para dentro de uma barraca ordinária, a tal de frente pra parede e de costas pra baía, não tinha água pra lavar as paradas e energia suficiente que a gente precisava, cada vez que ligava uma coisa desligava outra, então o primeiro dia foi todo atrás de resolver os problemas, e pra completar a bandinha da terceira idade que tocava na nossa área não animava nem o mais endiabrado dos fuliões, broxei legal, chegamos no Hotel Chaplin e a cama era de casal, puta que o pariu Uirá tá querendo me comer, Uirá é o bofão filho de Ana Emília, a poderosa feiticeira baiana, é um bofe daqueles digamos assim ”intocável”, macho de doer, porra, dormir na mesma cama com um marmanjo desses me deixa extremamente nervoso, meus hôrmonios pipocam, minha imaginac,ão voa, meus demônios fazem a festa nos meus nervos, então resolvi sair e passear pela área pra esfriar as cabec,as, um rockzinho por ali, um popzinho mela cueca por acolá, batuque mesmo nem caixinha de fósforo nem garrafa de vidro, fiquei trocando idéia com algumas pessoas, aqui na Suécia é bom por causa disso, se você quer puxar conversa com alguém basta falar sobre o tempo, não tem erro, é só chegar e mandar _Que bom que o tempo melhorou né!...Tá um friozinho gostoso…Esse verão tá fraquinho hein…Parece que amanhã vai esquentar…etc…etc…etc…qualquer coisa serve, eles simplesmente adoram falar sobre o clima, é o assunto preferido em todas as rodas, ninguém troca um bom dia sem fazer algum comentário sobre o tempo, a previsão na tv é o programa mais asssistido, imperdível, portanto quer fazer amigo ou uma paquerinha, manda ver, é infalível, agora vai com calma, não adianta chegar falando algo tipo assim_Essa chuvinha dá vontade de ir pra casa trepar!...ou…Que calor, vamos tomar um sorvete lá no meu ap?...pode não dar certo, mas se colar colou. Quando tava voltando pro hotel parei num parque e deitei no centro de um brinquedo que era algo como uma piramide com um balanc,o bem no meio, não deu outra, botei o pau pra fora e bati uma punheta para o silêncio e para o friozinho da brisa da noite. No dia seguinte já saí do hotel fantasiado, foda-se, vou vestir o personagem e me divertir, tomei uns Red Bulls e a bandinha do dia era bem mais sofisticada, tocando um jazz-bossa bem gostoso, fiquei fazendo performances pelo espac,o, dancei no palco para alegria da velharada, e me deram corda então resolvi cantar ”Garota de Ipanema”, mico total, saí sapateando rapidinho dali escondendo a cara atrás da minha sombrinha verde-amarela. De noite chegou Otávio outro brasileiro-sueco animadinho , ficaram ele e Uirá babando desesperados por qualquer buceta que passasse, eu recepcionava elas, primeiro perguntava se falavam espanhol ou português, não, então mandava olhando bem nos olhos delas_ Você pode ganhar aqui três caralhos duros em todos os buracos, fique a vontade_depois me desculpava por estar falando português e os dois ficavam se mijando de rir, Uirá falou que Otávio ía dormir com a gente no hotel, fudeu, pronto, chamou mais um pra me segurar, vão me estuprar, o que tiver que ser será. De noite saimos pra farra, Landskröna fica próxima de várias outras cidades, e numa só noite fomos em três diferentes na BMW de Otávio, que ele comprou com seu dinheirinho suado de trabalho quase escravo aqui na Suécia, é assim, trabalhe sem parar e compre tudo o que você puder e finja que está feliz por causa disso. Resolvemos ir para Malmö, curtir uma boate lá e aproveitar para dormir na casa de Otávio, Malmö é uma das maiores e mais moderninhas cidades da Suécia, enchemos a cara na Debaser uma boatezinha com cara de Underground mas cheia de gente metida a besta, meus amigos playboy aqui na Suécia é foda, dá vontade de vomitar, e os seguranc,as então parece que estão ali para fazer tudo o possível para que você não se divirta, repressão total, mas depois de alguns drinks, consegui esquecer a fila quilométrica que tivemos que enfrentar para depois averiguar que o lugar não estava cheio, e aguentar o hip hop mela cueca que estava tocando, e aquelas pessoas todas perfeitas rindo e gritando histericamente. Acordamos cedo e nos mandamos, que aquele era o principal dia do Karnaval, quando iria rolar o tal desfile, e parece que finalmente um batuquezinho, devido minhas piruetas do dia anterior os olheiros da organizac,ão fizeram questão de minha presenc,a no desfile, beleza, quero sair de fio-dental como rainha do carnaval, bom, me explicaram que não seria possível pois já havia uma outra brasileira vagabunda que tinha chegado antes de mim, botei um figurino de arrebentar muito red bull com cerveja na cabec,a e me joguei, a coisa funcionava mais ou menos assim, eram vários núcleos, cada um com sua pequena bateria, eu dei uma circulada geral, e scolhi a dos romanos que estavam tocando menos mal que as outras, invadi a ala sem pedir licenc,a, primeiro eles me olharam meio torto, perguntando-se quem é esta criatura, depois que eu mostrei meu carisma natural e samba no pé eles foram relaxando, tinha umas passistas suecas gostosinhas e fiquei por ali abanando o rabo delas, na primeira meia-hora já tava morto esbaforido, mas puxei o gás e fui em frente, não vou arregar pra esses gringos de jeito nenhum, era passo de frevo, samba, capoeira, funk, axé, todo o meu repertório, quanto mais o povo aplaudia mais eu me empolgava, resumindo, quando terminou o desfile quase duas horas depois eu não conseguia nem andar, entrei em coma, físico e mental, me bateu uma deprê braba, apesar de ter me divertido fiquei me perguntando porque me entregar daquele jeito, já que a maioria daquelas pessoas deveria estar ganhando um din din, e eu ali de otário,fazer o que? Vou me candidatar para ser a rainha do ano que vem né. De noite encontrei um brasileiro que eu já conhecia do Rio que estava passeando por lá com seu namorado dinamarquês, eles iríam voltar de trem ainda naquela noite para Copenhagem, não deu outra, meus diabinhos comec,aram a girar de mãos dadas em volta da minha cabec,a gritando olê olê olá, me empolguei e resolvi ir junto, mesmo com todo o cansac,o dos três dias de trabalho, desfile, e depois de desmontar a parafernália toda e jogar dentro do trailer, ainda arranjei forc,as nao sei de onde para pegar o trem as duas da manhã para bater perna na Dinamarca, fomos direto para a ruazinha inferno cheia dos tipos modernos, andróginos e esquisitos que eu gosto, típicos da madrugada de Copenhagem, foi divertido, adoro este tipo de iniciativa imprevisível e irresponsável, cruzar a fronteira para outro país as duas da manhã num trem subterrâneo que passa por dentro do mar, é por si só uma aventura bastante excitante, voltei me arrastando na manhã seguinte, absolutamente esquizofrênico de tanta informac,ão e questionamentos acumulados, entrei em parafuso, mas depois de umas boas hora de sono e de conseguir acalmar a fúria do hank pela meu pequeno passeiofora do país, tudo já voltou a normalidade habitual no meu reino encantado da escandinávia.
g.q.

Tuesday, July 24, 2007

Thursday, July 19, 2007
Já faz um tempo que estou por escrever algo sobre este verão sueco cheio de flores que insistem em não acreditar que a primavera já passou, algumas já estão murchando e eu não posso descrevê-las fotograficamente com a exuberância perfumada em que me parei a a dmirá-las e a respirá-las em cada esquina em cada janela em que elas derramavam suas cores, agora restam algumas pétalas espalhadas colorindo as calc,adas, e não posso evitar esse arrebatamento esse deslumbre essas rimas pobres no meu escrever repleto de encantamento. Hoje faz sol, um sol imponente, impiedoso, que espalha toda essa luz na tarde sonolenta que se prolongará até quase o fim das horas ignorando a existência da noite. Alguns dias atrás foi Mitsöma, e todos os suecos comemoraram o dia mais longo do ano, quando se pode contemplar o sol da meia-noite, é uma beleza implacável , a ausência de escuridão espalha uma penumbra única e uma energia que leva as pessoas para as ruas como se aquele fosse o último dia na terra, e tudo vai além do meu entendimento e eu me sinto absolutamente confuso e eufórico como se estivesse cheio de ácido numa rave que só terminaria quando finalmente anoitecesse e todos adormeceriam para sempre, um prenúncio de morte, um vislumbre de apocalipse, e é tudo tão belo tão calmo tão divino, que imagino ser assim uma morte por overdose de luz, pequenas doses letais penetrando os olhos e os póros até que uma claridade eterna illumine todos os pensamentos e tudo se torne tão puro e óbvio numa verdade absoluta…e pronto…e fim…Mas a noite veio tardia, e com ela o vento frio, e acendemos as velas e nos abrac,amos e oferecemos nossos carinhos de luva, meus instintos de animal noturno agradecem e deixo-me envolver pelo breu e por milhões de pensamentos absolutamente devassos, minha memória fervilha cheia de pecados, pois foram todos fabricados pelos demônios que me habitam dentro da noite eterna, mas agora eles não estão aqui, e foi tanta luz que estou cego para estes seres todos que me perseguem, o sol apagou toda a podridão e acendeu a faísca do olhar na ponta do dedo de Deus que fura o céu e risca de nuvens a distância embalada pelo vento das lembranc,as, é tempo de viver na claridade dos dias que se prolongam por dentro do sonho, o novo a cada estalo de pálpebras flamejando de beleza, e as velas acesas me trazem a presenc,a de bruxas e outras criaturas mágicas e forc,as invisíveis, e todo esse mistério me enche de vontade de sair voando e abrac,ar a paisagem e engolir o horizonte e dovorar minha própria fome de estar vivo atravesssando esse tempo onde tudo já tão velho tão antigo abre espac,o para que o novo me atropele com a forc,a da natureza que se renova a todo instante, a fudida arrebatadora perfeic,ão da natureza, essa forc,a que vem lá das profundezas da terra e acende tudo de verde em volta e se perde ao longe no voô de um pássaro, e eu aqui sentado colado a este tronco de árvore sendo fuzilado de pensamentos de luz, explosões de cores no meu silêncio cheio de música por dentro do corpo anestesiado, posso ficar aqui escrevendo sem parar e descrever a eternidade através das estac,ões que seguem seu fluxo absolutamente divino num encaixe que vai além de qualquer estudo ou compreensão humana, e sei que todas essas folhas vão ficar amarelas e cair, deixando as árvores nuas e o caminho coberto de um tapete amarelo e depois tudo vai congelar e um manto branco vai cobrir a paisagem e depois de um longo período em que o tempo também parece não passar, finalmente o sol vai voltar derretendo tudo e vai ser uma explosão de cores e sentimentos e tudo vai nascer novamente, novas flores novas folhas e novos amores e novos sonhos, e o sol poderoso na ponta do dedo de Deus ficará cada vez mais presente, ignorando a existência da noite, da escuridão, de meus instintos de animal noturno cheio de podridão, e eu ainda estarei aqui colado a este tronco absolutamente iluminado, cego de tanta luz, vivo dentro da eternidade, morto de perplexidade no encantamento que não permite qualquer descric,ão fotográfica de minha limitada literatura, mesmo que eu fique aqui escrevendo através das horas infinitas…escrevendo…escrevendo…escrevendo…respirando…escrevendo…respirando…escrevendo…respirando…escrevendo…sem parar nunca…nunca…nunca…nunca…nunca…nunca…
g.q.

Friday, July 06, 2007
Monday, July 02, 2007
ESSE É O DIA EM QUE AS PESSOAS QUE CULTIVAM O ÓDIO NO CORAC,ÃO ENXERGARÃO UM ESPELHO NEGRO NO CÉUE AS NUVENS PASSAM MOSTRANDO SUAS VIDAS MISERÁVEIS COMO UM CINEMA BIZARRO NAS ALTURAS
E TODOS ELES CAMINHAM PARA OS PRECÍPIOS FEITO ZUMBIS ENFILEIRADOS ENQUANTO AS NUVENS PASSAM CONTANDO SUAS HISTÓRIAS
AS MÃES TAPAM OS OLHOS DE SEUS FILHOS PARA QUE ELES NÃO VEJAM TAMANHA SUJEIRA
UM CHEIRO DE PODRE SAI DE SEUS CORPOS ANESTESIADOS PELA PERPLEXIDADE E PELO ACÚMULO DE RANCOR
ELES ACHARAM
QUE NÃO PRESTARIAM CONTAS
ELES PENSARAM
QUE TUDO SERIA ESQUECIDO
ELES ESPERAVAM
QUE UMA MORTE RÁPIDA PORIA FIM A TUDO
MAS EIS QUE CHEGA EM VIDA O DIA DA HUMILHAC,ÃO
ELES VIRAM
UM ESPELHO NEGRO NO CÉU
ELES SENTIRAM
O VAPOR DOS PÓROS DA TERRA EM CHAMAS
ELES ANDARAM
ATÉ A BEIRA DO DESFILADEIRO DE SEUS SENTIMENTOS APODRECIDOS
ELES ESPALHARAM
O FEDOR QUE ACUMULARAM NA ALMA
ELES CARREGARAM
O PESO DE TODOS OS CADAVÉRES E TODAS AS MENTIRAS
OS ABISMOS GRITAM DE FOME DE JUSTIC,A
OS VULCÕES EXPLODEM O SANGUE ABSORVIDO DURANTE OS SÉCULOS
ONDAS GIGANTESCAS ESTÃO SE FORMANDO AO LONGE NOS OCEANOS EM FÚRIA, MAS NÃO TÃO DISTANTE
E ESTAS SÃO PARA AQUELES QUE ASSISTIRAM A TUDO CALADOS
QUE SÓ FIZERAM APONTAR OS PECADOS
QUE FECHARAM SUAS PORTAS PARA OS DESESPERADOS
E FICARAM LÁ DENTRO TRANCADOS
COMO SE A IGNORÂNCIA ALGUMA VEZ
TIVESSE SALVADO A VIDA DE ALGUÉM
E AGORA VOCÊ ASSISTE A ESTE DESFILE DA PARADA DOS ZUMBIS MORIBUNDOS
E VOCÊ DÁ GRAC,AS A DEUS PORQUE VOCÊ ACHA QUE ESTÁ SALVO
PORQUE VOCÊ É UM CRISTÃO QUE DÁ ESMOLAS
PORQUE VOCÊ CHEGOU SEMPRE NO HORÁRIO
PORQUE VOCÊ CHOROU QUANDO AS TORRES CAÍRAM
PORQUE VOCÊ ACENDEU UMA VELA PARA OS MORTOS DA CHACINA
PORQUE VOCÊ AJUDOU O CEGUINHO A DOBRAR A ESQUINA
PORQUE VOCÊ CRUZOU PRO OUTRO LADO QUANDO ENXERGOU O PECADO
PORQUE VOCÊ ASSISTIU TV SENTADO COM SUA FAMÍLIA POR HORAS E HORAS
NÃO EXISTE MAIS TEMPO PRA ILUSÃO NEM PRA SALVAC,ÃO
A TV ESTÁ FORA DO AR
VOCÊ JÁ NÃO PODE ASSISTIR A PREVISÃO DO TEMPO
MAS EXISTE UMA ONDA GIGANTESCA SE FORMANDO PRA VOCÊ AO LONGE NO OCEANO, MAS NÃO TÃO DISTANTE
JÁ NÃO HÁ MAIS TEMPO PARA LAMENTOS NEM ARREPENDIMENTOS
E NÃO EXISTE PARA ONDE CORRER
SE VOCÊ NÃO AGUENTA O CHEIRO DE PODRE
E O BALÉ BIZARRO DO ESPELHO DE NUVENS NEGRAS NO CÉU
UMA CHUVA AMARGA COM GOSTO DE LÁGRIMAS VAI TE ELCANC,AR
O GRITO DOS ABISMOS
O VAPOR DA TERRA
E QUANDO ACABAR A GRAVIDADE VOCÊ VAI CRAVAR CORRENTES NO CHÃO
AO INVÉS DE SE PERMITIR O VOÔ
AO INVÉS DE PLANTAR UMA SEMENTE
POIS CHEGOU O DIA QUE TODOS SABIAM MAS FINGIAM NÃO ENXERGAR ENQUANTO PREPARAVAM O JANTAR E MUDAVAM O CANAL QUANDO A NOTÍCIA ERA TRISTE DEMAIS
E AGORA A TV ESTÁ FORA DO AR
E OS INOCENTES ESTÃO TOTALMENTE PERDIDOS
A VIDA É MUITO MAIS CRUEL QUE A DA NOVELA
E A VERDADE EXPLODE NAS RUAS, MUITO MAIS CRUA QUE A DO JORNAL
A REALIDADE TEM CHEIRO, TEM COR, TEM ROSTO
OS ASSASSINOS DESFILAM NA SUA RUA
E VOCÊ OS RECONHECE, SÃO SEUS VIZINHOS
NÃO TEM SALVAC,ÃO, A TV ESTÁ FORA DO AR
VOCÊ ASSISTE AO DESFILE DA PARADA DAS CRIATURAS INSANAS PELA JANELA
E ESPERA
PELA ONDA GIGANTESCA QUE ESTÁ SE FORMANDO AO LONGE,
MAS NÃO TÃO DISTANTE.
Friday, June 29, 2007
Meu corpo se equilibra sobre meus passosMeus pés descalços me arrastam pelo asfalto
Do alto as nuvens me sugam os cabelos e os pensamentos
Me vejo perdido vagando no tempo
Sou tudo leveza de estar assim tão solto
Nunca o pouco foi tão muito
Na minha ausência de desejos
Só vou seguindo
Sozinho
Sigo indo
Sorrindo
De meus medos
De mão dadas com meus fantasmas
Nada me entristece
Nada me cala
O silêncio não me abala
Vejo a luz de algum olhar distante
Disparando tiros de flores no meu caminho
Tenho um caos de doçura pra alcançar
Antes do anoitecer
Tenho a noite inteira pra me perder
Entre clarezas de idéias acesas
Por dentro do sonho que nunca sonhei
Que por isso mesmo é conquista
Feito terra à vista
Feito mar aberto
Feito sonho desperto
E de tanto amanhecer
Madrugadas me levam longe
Tão cedo tudo me chega
Sem buscas de distâncias inalcançáveis
Tenho uma loucura secreta pra cada dia
Me revelo inteiro no que se anuncia
Certo de ser o que não tem planos
Tranquilo em saber que tudo é por acaso
E que nada está traçado
Como gostaríam de acreditar os inconformados
Sou um alvoroço manso
Tenho carinhos de furacão
Tempestades me guiam
Abraços me ardem
Acidentes me atiram longe
Tenho um grito guardado
Que vai parar o tempo
Quando alguma sanidade me entorpeça
Para Adriana Monteiro de Barros.
Wednesday, June 27, 2007
pra que de tolerância se fac,am as relac,ões humanas!
pra que a compreensão encerre as repressões insanas!
pra que a revoluc,ão se baseie na alegria!
pra que de prazer se firme uma anarquia!
pra que a transformac,ão se reflita na beleza!
pra que com abrac,os se curem as tristezas!
pra que a saúde seja a nossa ideologia!
pra que se negue para sempre a hipocrisia!
pra que de aceitac,ão seja feita a nossa vontade!
pra que de tesão seja a febre que no corpo arde!
pra que de entrega seja a nossa luta!
pra que de plena harmonia seja o que se escuta!
pra que da luz do sol brote nossa sorte!
pra que com amor se venc,a a morte !
g.q.
Tuesday, June 26, 2007
UMAS VERDADES INCONVENIENTES E ALGUMAS MENTIRAS INOFENSIVAS,
I DON’T GIVE A SHIT

Bom, eu tenho algumas revelações muito importantes para fazer neste momento, as geleiras da Antártida estão derretendo, o oceano vai invadir os continentes e bilhões de pessoas irão morrer, pronto, falei, não adianta entrar em pânico se você é mais um hipócrita que finge se importar com isso e não faz nada pra diminuir o índice de poluição no mundo e o buraco da camada de ozônio, e também nunca fez o exame de HIV e enche a cara constantemente e trepa com qualquer um sem camisinha e parou de falar com seu vizinho viado quando ele começou a ficar esquelético e prefere dizer pra todo mundo que ele morreu de uma ”doença rara” do que contar a verdade, pronto, falei, a hipocrisia me enoja, tô assim hoje, odeio mentiras, e tem mais uma coisa, vou falar tudo agora, eu e Frodo estamos tendo um caso, não tem jeito, minha vida amorosa é uma coisa bizarra, na verdade se é pra falar, vou falar logo tudo, Frodo e Hank são a mesma pessoa, Hank é a identidade secreta que Frodo assumiu depois que ”O senhor dos anéis” faturou milhões e ele não podia mais passear em nenhum bosquezinho sossegado, então ele fugiu pro Brasil, e foi lá que a gente se conheceu durante o carnaval no meio da Banda de Ipanema, numa estranha coincidência, quando Frodo estava fantasiado de Bruxa má do leste e eu de Dorothy, foi amor instântaneo e nunca mais nos separamos, pronto, falei, quem não acredita em duendes, ou que é possível se apaixonar durante o carnaval, ou ainda repete por aí que trepar com camisinha é o mesmo que chupar bala com papel, ou nunca ouviu falar em camada de ozônio, que se foda. Sei que estou aqui feliz ao lado do meu herói encantado, vivendo nossa farsa aqui na Suécia, onde todo mundo finge ser o que não é e ninguém tá nem aí pra vida de ninguém. Frodo resolveu receber algumas pessoas hoje à noite pruma reuniãozinha informal, eu avisei que hoje estou atacado, ele falou que não importa, então tá, convidou seus amigos suecos que tem em comum o fato de importarem puros sangues fudedores da América Latina, chegaram Stefan com sua esposa, a poderosa feiticeira bahiana que já comentei, e Ane Marie, coroa arretada acompanhada de seu negão cubano que deve ter uns 30cm de pica, o que me deixa nervoso, não de inveja é claro, porque eu só não nasci negão por um desses mistérios da genética, depois foram chegando nossos amigos famosos , Al Gore, que compartilha com Frodo o gosto pela causa ecológica, e trouxe com ele seus animais de extimação inseparáveis, um urso polar, uma gibóia, um tamanduá, um rinoceronte, um unicórmio e uma arara de duas cabeças, depois chegaram Bono Vox e Bob Dylan, que estão tendo um caso secreto e vão adotar uma criança aidética do Timor Leste, porque Bono morre de inveja da Angelina Jolie depois que ela catou o Brad Pitt, eis que para meu total desbunde e emoção, adentra o apartamento Kurt Cobain, é meus amigos, Kurt não morreu, ele fingiu o suicídio para viver longe de toda essa maquinaria da mídia que ele tanto abominou, assim como fizeram Jim Morrisson e Elvis que fugiram para África para serem traficantes de armas como Rimbaud e viverem seu amor longe dos holofotes, mas isso é outra história, quando eu vi Kurt, pirei, fui logo lembrando que eu estava lá no show do Nirvana no Brasil quando ele mostrou o pau pras cameras da globo e cuspiu na cara do Brasil inteiro, ele me esnobou e foi prum canto injetar um pouco de heroína, então chegou a velha neurótica da porta ao lado, e logo em seguida Quentin Tarantino que a a gente empurrou pra fazer companhia pra velha, Tarantino como bom alcólatra começou a servir drinks estranhos, e todo mundo foi ficando bem louco, o cubano revelou-se uma pessoa intragável, não deixando ninguém falar, e enumerando suas incontáveis habilidades, mas quando ele falou que o carnaval cubano era melhor que o brasileiro, eu fiquei realmente irritado, subi em cima da mesa e o desafiei prum duelo de pica, abaixei minhas calças para o deslumbre geral, Bob Dylan teve que segurar Bono pelos cabelos, que ficou babando querendo cair de boca imediatamente, o cubano tentou escapar de todas as maneiras, mas Tarantino que é realmente um cara durão e porra louca, ameaçou chamar seus amigos barra pesada de ”Cães de aluguel”, quando o cubano lembrou da cena de tortura com direito a orelha decepada, subiu rapidinho na mesa e abaixou as calças, foi risada geral, o negão carregava um cotoquinho preto no meio das pernas, aí eu cresci mais ainda pra cima dele, vai dar o rabo pro Fidel Castro seu cubaninho escroto prepotente, botei Ane Marie de quatro e comecei a fuder ela no cú, ele caiu de joelhos e começou a chorar, aí eu tirei a pica e acertei um jato de porra bem no seu olho, todos aplaudiram e a festa continuou bem mais animada, eu fui fumar um cigarrinho com Tarantino e aproveitei pra elogiar seu novo filme ”Death Proof”, que é do caralho, cheio de todos seus fetiches característicos, incluindo closes de pés, diálogos sagazes, música cool estranha e mulheres grandes e gostosas, e foi então que Frodo me revelou sua maior surpresa da noite, aproveitando que a velha neurótica já estava mais pra lá do que pra cá, levamos todo mundo pro terraço, local do trauma, e derrepente adentra o local um grupo de sadomasoquistas carregando velas e pingando cera quente no corpo, rodearam a velha e começaram a pingar cera nela, logo em seguida entra um grupo de sapateado flamenco quebrando tudo, o lugar fica quente, e a velha é tomada de um surto frenético e começa a pingar vela no corpo inteiro, sapateando abraçada com os dançarinos flamencos, depois ela se pendurou no meu pescoço e me beijou todo com a boca cheia de cera gritando eu te amo eu te amo, em sueco é claro, fiquei extasiado, minha vingança estava efetuada, depois foi a hora da surpresa para Al Gore, os masoquistas abriram suas pernas e começaram uma longa sessão de fist, para quem não sabe, trata-se de um fetiche muito popular, que consiste em introduzir o braço no ânus do companheiro, sabe-se também que os adeptos da prática começam introduzindo dedos, depois mão, depois braço,depois dois braços, depois objetos, etc, etc, etc, Al Gore foi ficando enlouquecido com aquilo, bradando uns cânticos estranhos que Frodo identificou como sendo de uma tribo aborígena obscura da Austrália, mandou buscar a gibóia que ele prontamente enfiou toda no rabo, quando ele começou a mandar buscar os outros bichos nós percebemos que a coisa ía ficar realmente bizarra, eu propus descermos pra sala para discutirmos o desmatamento na Amazônia como gente civilizada, mas depois dos drinks, performance sadomaso, sapateado, fist, já estavam todos em transe e resolveram se entregar ao excesso total, Ane Marie e a feiticeira Bahiana começaram a injetar heroína uma na outra se beijando e sapateando sobre o corpo do cubano que gemia humilhado, Kurt Cobain e Tarantino e Stefan faziam uma tripla penetração na velha, um pau na boca, outro no cú, outro na buceta, ela nunca foi tão feliz em toda sua vida, Bob Dylan e Bono se juntaram com Al Gore que a esta altura estava sentado na cabeça do unicórnio com o chifre todo dentro metendo os braços no rinoceronte, enquanto Bob enfiava a tromba do tamanduá no cú e chupava o pau do urso polar, e bono com as duas cabeças das araras introduzidas cantava”…in the name of love…what more in the name of love?...”, os masoquistas estavam comendo sua própria merda e chicoteando os dançarinos que sapateavam sangrando por cima de todos, eu e Frodo assistíamos a tudo encantados com tamanha fúria descontrolada de nosssos amigos, mijávamos em cima deles e jogávamos confete e serpentina e cocaína para o alto, era um espetáculo ímpar de liberdade e prazer de tantas personalidades distintas entregues a lúxuria orgiástica, acabamos todos enrroscados como um bolo de carne cheio de porra. Foi realmente uma reuniãozinha muito divertida, é assim aqui na Suécia, depois de alguns drinks, as pessoas se soltam, e são capazes de coisas que até Deus dúvida, no dia seguinte ninguém comenta nem lembra de nada, amnésia total, mas também quem iria acreitar que Al Gore esteve no nosso sótão praticando fist com uma gibóia? E que trepar com camisinha é 100% seguro? E quem acredita que eu tenho uma pica maior que a do negão cubano da Ane Marie? E quem vai me garantir que Kurt Cobain está realmente morto se ninguém viu o corpo dele? Você acredita em unicórmios? E que a Amazônia foi vendida pros norte-americanos? Acredite se quiser, e desminta se puder, se você nunca enfiou nem um dedinho no seu cú nem no de ninguém, azar o seu, mas se for tentar agora, cuidado, é uma prática altamente viciante.
G.Q.

Tuesday, June 19, 2007
Thursday, June 14, 2007
ESTAVA ASSISTINDO UM DOCUMENTÁRIO EXCELENTE SOBRE A INTERFERÊNCIA DE MÚSICOS FAMOSOS NA POLÍTICA MUNDIAL, UM PANORAMA HISTÓRICO DESDE BOB DYLAN ATÉ BONO VOX, FIQUEI BASTANTE COMOVIDO COM ESSA MOVIMENTAC,ÃO TODA, E SAUDOSO DE MINHA PARTICIPAC,ÃO AO LADO DOS VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA AÍ NO BRASIL, QUE FOI UMA ATIVIDADE MARCANTE NA MINHA VIDA, E QUE REMEXEU NA MINHA CABEC,A UM MONTE DE COISAS QUE ESTAVAM LÁ DESATIVADAS...ENTÃO ESCREVI ESTE POEMA QUE GOSTARIA DE DEDICAR PARA O TICO SANTA CRUZ.
O SOM DO GRITO
ONDE VOCÊ ESTAVA QUANDO TUDO FOI DITO?
E QUEM VAI DIZER O QUE TODOS PRECISAM OUVIR?
O QUE FICOU ESQUECIDO
EM ALGUM LUGAR DO CAMINHO
O QUE FOI TANTAS VEZES REPETIDO
MAS TÃO POUCAS VEZES ENTENDIDO
VOCÊ PRECISA OUVIR O QUE EU DIGO
EU PRECISO DIZER O QUE EU SINTO
TODOS QUEREM SER OUVIDOS
POUCOS TEM ALGO A DIZER
ONDE VOCÊ ESTAVA QUANDO EXPLODIU O GRITO?
JÁ FAZ TEMPO QUE EU INSISTO
NO QUE EU SINTO QUE EU PRECISO
QUANTAS VEZES TEMOS QUE REPETIR
O QUE AS PESSOAS INSISTEM EM NÃO OUVIR?
POR QUANTO TEMPO TEMOS QUE CALAR
PRA QUE ALGUÉM UM DIA POSSA ESCUTAR?
QUAL A DISTÂNCIA QUE O TEU GRITO ALCANC,A?
E O CHORO DE UM BEBÊ?
O SILÊNCIO DE UMA LEMBRANC,A
A DOR DE UMA MÃE
O SOFRIMENTO DAS CRIANC,AS
O SOM DA FOME NÃO MOVE AS MONTANHAS
TODO MUNDO SABE
TUDO JÁ FOI DITO
O VAZIO NÃO CABE NO INFINITO
A INDIFERENC,A NÃO PREENCHE O GRITO
QUANTAS VEZES UM HOMEM PRECISA CHORAR
ANTES DE GRITAR?
QUEM VAI ENXUGAR A LÁGRIMA
ANTES DA EXPLOSÃO?
QUEM VAI OUVIR O SOM DA CHUVA
ANTES DO TROVÃO?
VOCÊ PRECISA CHORAR AS VEZES
VOCÊ PRECISA SENTIR A CHUVA NO ROSTO
A LÁGRIMA TEM O GOSTO
DA VOZ DO CORAC,ÃO
E É LÁ QUE ESTÁ A RAZÃO
DO QUE EU DIGO
DO QUE EU SINTO
QUE NÃO FOI OUVIDO
QUE VIROU SILÊNCIO
E TORNOU-SE GRITO
QUE EXPLODIU POR DENTRO
ATÉ QUANDO A HUMANIDADE VAI SUFOCAR
A VOZ DO SENTIMENTO?
A RESPOSTA MEU AMIGO
PERDEU-SE NO VENTO.
G.Q.
Wednesday, May 30, 2007
SOPRO DE POESIA - AS ENCANTADORAS IRMÃS INGRID E FLORA TOCAM PARA BETINA KOPP BAILAR
MARCIA LIEDKE EM SUA LEITURA DRAMATIZADA DE LYA LUFT
NA,CÃO MARÉ MANDANDO VER NAS RIMAS AFIADAS E LEVANTANDO A GALERA
OUTRO MOMENTO DE LOUCURA COLETIVA ENTRE LIDOKA, GEAN QUEIROZ E AS DOIDIVINASMonday, May 07, 2007
Thursday, April 26, 2007
Monday, March 19, 2007

VERSOS DA MEIA-NOITE
DO SAGRADO AO PROFANO
DO SAGRADO AO PROFANO, EU VOU…e levo comigo os crentes e descrentes desse mundo mundano. Oh Jesus! Rei dos desgracados, pai dos miseráveis, que vagam pela vida derrotados. Sob o céu ecoa o meu grito, da terra para o infinito, uivo de animais feridos, prostitutas, bêbados, mendigos, filhos mal paridos, pedindo amor a Deus e ao Diabo. Oh Jesus! Rei dos desesperados, te entregarei o Judas queimado, a hipocrisia arde com a minha verdade, o egoísmo em chamas para quem não ama. Nesse cortejo toda ânsia de justica, subindo ladeiras sem nenhum sacrifício, todos os demônios à solta, dancando ciranda em volta do Cristo. Vou nessa festa entre o céu e o inferno, porque tudo acontece nesse mundo, somos vítimas de nós mesmos e por nós mesmos, bravos guerreiros do amanhã. Minhas armas são a arte, a fantasia, o prazer, a rebeldia, combatendo a tristeza nesse Rio de Janeiro, espalho esse clamor pro mundo inteiro. Do sagrado ao profano, eu vou, com sorrisos e flores, apagando as dores e acendendo o amor.
G.Q.
SEXTA-FEIRA SANTA
SANTA TERESA
ESPÍRITO SANTA
23HS
Tuesday, March 06, 2007
Eu quero um lugar para estar, onde eu seja o que esteja,e esteja onde seja, um lugar de grandes janelas, com vistas panorâmicas para dentro de mim, onde eu seja o que está a vista, e esteja á vista o que eu seja.
Aberto ao vento, um espaço imenso onde circule o pensamento e ecoe o som do silêncio. Porque mesmo que lá fora o mundo se exploda, o lugar que eu quero está aqui dentro, no centro de onde brota uma flor inventada, no instante do nascimento da inspiração almejada.
Com paredes altas e transparentes , onde as idéias me são sugadas pelas alturas insanas e pelas tramas do vento, que me deixa aqui vivendo de brisa, jogando palavras pelas janelas, nos abismos do tempo.
Eu quero um lugar onde o isolamento esteja cheio de tudo, onde uma catarse me habite no interno de onde existo, tendo em volta o infinito, pra que se contemple, de fora, de dentro, de longe, de perto, sozinho, e o mundo todo junto comigo.
G.Q.
Wednesday, February 28, 2007
VORAZCOMO SE O TUDO DEVORASSE O INSTANTE
COM SE A NOITE DEVORASSE O TUDO
NA INSANIDADE FAMINTA
DE QUEM ENGOLE A SI MESMO
MASOQUISMO EXISTENCIAL
SOLIDÃO CONTEMPLADA
NA ESSÊNCIA DA FOME
COISA PRA SE GUARDAR NUM SEGUNDO
QUE PASSA PRA IMORTALIDADE
INSACIÁVEL MERGULHO NA ETERNIDADE
EXERCER A VERDADE
COMO SE A MENTIRA NUNCA TIVESSE EXISTIDO
COMO SE TAMBÉM NÃO EXISTISSE O MEDO
DESTRIBUIR ÂNSIAS
DESPERTAR OS SENTIDOS
SENTIR O GOSTO AMARGO DO VENENO
IR CADA VEZ MAIS LONGE
ATÉ ONDE A FOME E O DESEJO APONTE
NUNCA PARAR.
Tuesday, February 27, 2007
o mundo está desaparecendo aos poucos
entre contornos de intelectos predadores
imagens empastadas da humanidade
imitam uma textura do que nunca existiu
composições figurativas
de almas ilustradas
sob a luz da função renascentista de Deus
orgãos sensoriais proclamam
a inutilidade da arte
na ignorância cubista
de estruturas falidas
espaços estáticos no fim dos tempos
desligam o espírito em planos verticais
numa velocidade vertiginosa e nostálgica
do dinamismo mórbido universal
a auto-suficiência dos pessimistas
ignora o esplendor das criações demolidas
a vanguarda de pensamentos
que nem se esboçaram
vinculados a manifestos futuristas
permitem maior elasticidade e leveza
ao irônico e detalhado processo artístico
de se repintar o mundo em cores vivas
longas paisagens redefinidas
e largos espaços de formas esquecidas
Uma cascata de guarda-chuvas desaba do céu, e eu me molho inteiro na alma, enquanto a cidade de açucar se espalha em amarga doçura.
Ferramentas descontroem a realidade, oficina de loucas visões de imagens devoradas pelo sistema.
Pensadores amordaçados nas estantes, revolucionárias idéias nas prateleiras dos açougues imaginários cravados a ferro nas paredes do crânio.
Vestir a plástica deformada pelas novas tendências importadas da semana da moda de plutão e desnudar o espectro de um futuro insano.
Interferir no presente com a mescla dos tempos, ignorando o progresso descontrolado, a caça as bruxas, os conflitos religiosos e os planos mirabolantes de conquistas do universo promovidos pelas organizações criminosas dos cartoons e pelos inimigos de 007.
O cenário gira em torno da paisagem, e a plataforma de sonhos impossíveis ergue-se no vazio.
Restos de fantasias, alegorias da destruição, rituais de desorientação em massa nas salas de reuniões dos artpolíticos reacionários.
Enormes formas alternativas de vida formam-se na mente do artista em desespero escapista.
O sistema industrial da selva de pedra, ainda selvagem, consequência da revolução do desasatre inevitável, tenta inutilmente unir os opostos em barreiras intransponíveis.
Ícones do inferno dançam em nuvens de arame, exibindo seus corpos deformados por perfurações, tatuagens, alargadores, e outros infinitos acessórios de tortura e prazer, adiquiridos nos sex-shops da industría pornô fetichista do demo.
Frases imprevisivelmente óbvias brotam nas telas planas de plasma, letras misturadas no espaço mídia do caos.
Arquitetura do vácuo mental, girando em torno do nada.
Assistimos a tudo desconfortavelmente, devorando alimentos conceituais nas galerias de fast food das feiras de idéias intoxicadas pelo excesso de nexo.
gean querido queirós,
o gean me emociona sempre. seu jeito elegante, sua manha, seu verbo cortante, afiado. o gean me encanta como um romântico que mistura a vida ao verbo, como um rimbaud, um kerouac, um ginsberg, um torquato. gean vem de longe, de uma mata primeva e se encanta com as luzes da cidade que decifra e entende seu feitiço, seu brilho mortiço, a angústia de seus faróis pisca piscando na noite veloz. salve gean marinheiro do asfalto, sibilosa criatura a se esgueirar entre os lapões. criador do lendário “versos da meia noite” no coração da putaria, com suas luzes vermelhas e seus imagens sanguíneas. cem vezes gean que com sua urgência de viver e ser livre, de gozar e ser querido, se joga na vida como um tigre de unhas pintadas e boca escorrendo mel. vai gean, desafiar a polícia dos costumes paralisantes, desembarrerar os canais de energia da corrente eletrosangue dessa cidade que já foi um dia. vai gean, levar vida em forma de ginga e gíria, em forma de verso e prosa para quem tá precisando, para quem quer se encontrar, para quem ta precisando se encontrar. você é o farol da rua larga, o dragão da boca maldita, o luxo na boca do lixo. você é o bicho
chacal – 8/2/2007
Thursday, November 23, 2006
ESTAREMOS EXIBINDO DOIS FILMAÇOS DO COLETIVO CACTOS INTACTOS NA NOITE DO DIA 30.
"PALMATÓRIA DO MUNDO" COM:BAYARD TONELLI E GEAN QUEIROZ
Mãe altera inteiramente seu conceito sobre o próprio filho, a quem considerava um maconheiro inútil, depois que ele recebe menção honrosa em um concurso literário.
"TODO PODER AOS POETAS" CURTA DOCUMENTAL FILMADO DURANTE EDIÇÃO DOS VERSOS DA MEIA-NOITE NO ESPAÇO CONTITUIÇÃO.VÁRIOS POETAS DÃO DEPOIMENTOS SOBRE A ARTE E O PODER.COM: CAIRO TRINDADE, ALINE ARTEIRA, GRAÇA CARPES, GLADIS LACERDA, DALBERTO GOMES, DALMO SARAIVA, ETC,ETC.
OS OUTROS NOS VERSOS
Formada no início de 2004, a banda OS OUTROS juntou em sua formação alguns dos melhores músicos do cenário carioca, para juntos tocarem rock n’ roll. Um rock n’ roll próprio, baseado em letra e melodia e bons arranjos; um som visceral, estomacal, urbano, somado a boas músicas com letras e melodias para serem cantadas. Todas as músicas são de autoria da banda.
As influências da banda OS OUTROS variam, de Jovem Guarda a Nirvana, de Radiohead a Bob Dylan, de Beatles a Tom Zé. A banda é formada por Botika (24 anos, ex-vocalista da banda ANEURA) na voz e nas composições; Eduardo Sodré (26 anos, ex-guitarrista da banda Noção de Nada) nas guitarras; Vitor Paiva (24 anos, ex-baixista da banda ANEURA) no baixo e nas composições; Fabiano (também baterista da banda Quinho e os caras) na bateria, e Papel (25 anos, também guitarrista da banda Fazenda Modelo) na segunda guitarra.
CONTATO : (21) 946512-65
thiagovedova@hotmail.com
Tuesday, November 14, 2006
Tuesday, November 07, 2006

III
INEVITÁVEL FLUIR
A trilha da montanha se abriu pra dentro da noite. A lua clareou. O passo acelerou. Acionou a mente pros mistérios de dentro da noite. Só solidão e sons da floresta. Fala comigo. Eu me deixo ouvir e cumpro com as tuas lendas. Compartilho contigo meus anseios de pureza. Tu me põe obstáculos, e eu destemido. Sedento de descobertas e desafios. Aproximar-se do topo. Elevar o espírito. Encontrar-se pleno em estado líquido do corpo massageado pelas corredeiras. Sentir as pedras. Conversar com as águas. Telepatia orgânica da vida. Deixar escorrer toda essa água. Inevitável fluir. Nada impedirá. Nem os avanços daqueles que não escutam a voz da terra. Nem o toque dos parasitas que arrastam-se tentando atravancar os caminhos do fluxo. A correnteza da poesia. Que é pura como a terra. Quando ela consegue ser terra. Enquanto vida fôr. Enquanto sol em flor. E tanto céu de pássaros a festejar voar. Outros a construir seus ninhos. Trabalho minucioso e preciso.

IV
DA ARTE DE SENTIR AS PEDRAS
E nós em nossa cabana aos pés da cachoeira. Reggae contínuo rolando, para satisfazer a todos os ânimos, a todos os seres. Humanos. Extrahumanos. Suprahumanos. Tantos seres invisíveis a nossa volta. É preciso romper as correntes do sonho. É preciso fazer o circuito do parque aquático rasta. Escalar as pedras. Deslizar das pedras. Abraçar, adormecer, despertar, explorar. É preciso simplesmente ser. Deixar a chuva molhar. Vem pra abençoar. Abrir os póros dos pastos em que a mente vagueia e quer descansar. E deitar. E atravessar para os lados ocultos. Abrir as pétalas ao calor. Sentir o peso da gota na folha. Esticar os braços de galhos contínuamente. A responsabilidade de estar inteiro nessa vida. E manter-se. Frutificar-se. Esticar tuas raízes pra lá destes bosques. Expandir-se além dos ossos. A alma é que respira a terra. As impurezas do plano físico não sobrevivem quando a natureza se acende. Nada sobrevive. Tudo simplesmente é.
V
RESVALECENDO ESSÊNCIAS
Santificada seja nossa ousadia de subir montanhas, e buscar outros ares que enalteçam essa nossa existência. Santificado ar. Santificada Taba Pindorama. Santificada clareza, nem que seja numa fagulha de lampejo. Iluminador que seja. As vezes os seres pensam que já viveram tudo. E tudo já se sabe. E tudo se escreveu. E não percebem que sempre há o que se descobrir. Ou re-descobrir. O que estava camuflado no véu da insanidade, o que estava incrustrado nas distâncioas opostas. E formou-se a fila dos infelizes. Mas eu estava longe de lá. Lavando. Escarrando. Escorrendo. Desputrificando. Transparecendo. Descascando. Resvalecendo essências. Odores. Formas. Cores. Orquestra harmoniosa dos sentidos. Sentir. Sentindo. Sem medo. Revelar-se sana-mente. São Salvador de si mesmo. Transgredir o óbvio. Transformar o instante. Na distância necessária a fuga precisa. Ver-se de longe e tão perto do alvo alma. Silêncio. Já não existe pressa de nada. A natureza não tem cartas marcadas.

VI
EXPLORAR OS SALTOS
Os sapos se inflam. Os pássaros dançam. A escuridão fala. A noite canta no ouvido da terra. A cidade é um passado de pesadêlos e castelos construídos sobre os sonhos demolidos. Eu escapo pela porta da saída. Atravesso as colinas. Desarrumo os emaranhados do tempo inerte. Espalho a rotina pelas trilhas incertas. Sigo até os picos. Enquanto a chuva vai lavrando a terra. Escorrendo toda a lama. Desconstruir o corpo. Animal de quatro patas. Explorar os saltos. Ir cada vez mais longe. Deixar o doce fluir dos saltos ao longe. Explorar o doce. Deixar o longe fluir. Sentir o salto. Distanciar-se destas questões de distâncias. Comple-xi-dades cravadas na pele. E coisas de instantes em que nada importa. Esses os que buscamos. Corrente da satisfação. Metodologia do prazer. Vento na inspiração. Se uma hora a cabeça pesar de coisas carregadas. Deixar ela rolar e se encaixar pelas pedras. Esse mundo tá cheio de pedras e coisas carregadas. O melhor é não sentir peso algum.

VII
PLU.PLU.PLU.PLU.PLU
È preciso amanhecer leve e acreditar no mormaço. Deixar a solidão guiar teu passo. É preciso fazer por merecer o sabor do salto para o outro lado. Armado de conspirações de levezas, e purezas, e agradecimentos. Eis que surge. Plu.Plu.Plu.Plu.Plu.
Brota diante dos olhos as mínimas infinitudes e absurdas delicadezas. Tudo em volta respirando. O verde brilhando de alegria. O mormaço. Santificado mormaço. Tá tudo aceso. Deixar o ser sentir seu próprio eu um pouco. Deixar as coisas ganharem sentidos amplos de acasos. Tocar a terra por dentro, e deixar ela te beijar o estômago. Adimirar as vacas. Santificadas vacas, com suas sábias pastagens indiferentes ao milagre. Sentir a luz na ponta dos dedos colorindo o invisível. Ser pedra. No simples ato de tocar qualquer coisa. Ser qualquer coisa. Descobrir todas as belezas secretas de todas as coisas. Abrir os braços, e envolver a imensa microcósmica presença de si mesmo no mundo. A roda está viva. As raízes prolongam-se infinitamente. As cicatrizes nos contam histórias. Raízes e cicatrizes. Restos de montanha em nossos passos. Deixaremos rastros de clarezas. Por dentro. Fluxo contínuo de verdades na veia. Enquanto houver cahoeira, e vaca no mundo, vale a pena acreditar que existe uma saída.
G.Q,
Sana. 04.11.2006
Monday, October 30, 2006
DO LEME ATÉ O LEBLON
EQUILIBRANDO O PASSO
NO SATO ALTO
DE BARATO
NO REBOLADO
SINUOSAMENTE
NAS LISTRAS DA CALÇADA
NÃO SE ABALA
NEM COM BALA
PERDIDA
NA MADRUGADA
ACIDENTE
ASSALTO
PORRADA
NEM O LIXO
OU O CHEIRO DE MIJO
DEIXAM-LHE XOCADA
HABITUADA
AO FIO DA NAVALHA
BANDIDO
OU QUALQUER CANALHA
SENTE A PRESSÃO
E SEGURA A ONDA NO PEITÃO
NO SILICONE
E NO CAÔ
FINALIZA UM CIDADÃO
PASSA PELO COPACANA PALACE
ESPALHANDO PURPURINA
IGNORA A PLEBE
SEGUE DIVINA
DA UM PAU NA COLA
DA MALOQUEIRA
MAIS ADIANTE MANDA UMA CARREIRA
SEM FURAR O SEU ESQUEMA
DEPOIS DE UM TRAGO NO BEM-ESTAR
ESTICA PRA IPANEMA
BUSINA
ABORDAGEM NA ESQUINA
QUAL É…QUAL FOI…
TÁ AFIM…DO QUE SE TRATA…
PODE SER…TALVEZ…
VAMO NESSA…SE MANDA…
JÁ É…NEM ROLA
TÁ DEVAGAR…TÔ COM PRESSA
TÔ DENTRO…TÔ FORA…
TÔ SUBINDO…TÔ DESCENDO…
PEGA AQUI…NÃO ME AMOLA
NÃO SE ABALA
COM NENHUM MALUCO
NEM COM OS CANAS
NEM MENDIGO
NEM BACANA
NÃO EMBARCA EM FURADA
NEM FAZ BAGATELA
MAS SE DÁ AO LUXO
DE ESCOLHER A CLIENTELA
DEPOIS DE ALGUNS ATENDIMENTOS BANAIS
E MAMADAS BÁSICAS
SUSPENDE O SUTIÃ
JOGA O CABELÃO
AJUSTA O PAU NA MEIA-CALÇA
RETOCA O BATON
E VAI FUDER UM GRINGO
NA COBERTURA NO LEBLON.
G.Q.
Sunday, October 29, 2006
Aproveito para postar aqui o comentário que o grande Cacá Diegues fez a respeito
de nosso humildicioso filme "PALMATÓRIA DO MUNDO"......quem não viu, veja,
está no youtube.
"Oi Cactos Intactos,
Continuo de olho em vocês e acabo de ver "Palmatória do Mundo" que eu adorei. O filme é engraçado, melancólico e contundente, tudo ao mesmo tempo. Aliás, muito bem interpretado. E aquela "Pietà" no final é de cortar o coração! Que bom que está cada vez melhor. Parabéns ao Alexandre Lydia, ao Mario Grisolli e a todo mundo que participou do filme. Um abraço cactólico do
cacá"
Friday, October 27, 2006

NO ASFALTO
do lixeiro só sobrou
a luva atropelada no asfalto
da fruta, o caroço chupado
do cachorro, o crânio esmagado
do bandido, o sangue manchado
do homem supostamente civilizado
só restou um monte de lixo espalhado
do suicida, o corpo espatifado
do vôo fracassado, o avião destroçado
do motorista embriagado, o carro desgovernado
dos esforços perdidos, o homem derrotado
do artista sem inspiração, o show acabado
dos passos sem direção, o velho prostrado
olhando o trânsito engarrafado
da gentileza,
restou o ser maltratado
e do amor só ficou
o leite derramado
G.Q.

DO ALTO DOS MORROS ENTORPECIDOS, OS GRUPOS DE FARMACOLÓGOS SUBVERSIVOS ORGANIZAM A SUA INVASÃO DEFINITIVA, ARMADOS DE UMA INFINIDADE DE SUBSTÂNCIAS ALUCINÓGENAS DENTRO DOS PRÓPRIOS CORPOS, ELES COSPEM SOBRE A CIDADE LITROS DE SALIVA INEBRIANTE, E EXPIRAM GASES TÓXICOS MESCLADOS A FENTANIL NA FORMA DE AEROSOL, COMO AQUELE USADO PELO GOVERNO RUSSO NO ATAQUE AO TEATRO DUBROVKS TOMADO PELOS REBELDES CHECHENOS, RESULTANDO EM CENTENAS DE MORTES. MULHERES NUAS, EM DELÍRIOS DIONISÍACOS, DESCEM AS LADEIRAS GRITANDO PRECES INCOMPREENSÍVEIS, REPLETAS DE VINHO EM SUA REPRESENTAÇÃO DE CRISTO, AS VELHAS BEATAS TOMADAS PELO CULTO BÁQUICO E PELO APELO PASSIONAL, TAMBÉM RASGAM AS ROUPAS NUMA EXALTAÇÃO DA EBRIEDADE. OS HERBORISTAS, BOTÂNICOS, MÉDICOS E CIENTISTAS JUNTAM-SE EM LONGAS REUNIÕES SINÉRGICAS, REGADAS A FERMENTADOS, DESTILADOS, FUMOS, MASTIGATÓRIOS EXCITANTES, ENTEÓGENOS VEGETAIS E DROGAS SINTÉTICAS, ESTABELECENDO ESTRATÉGIAS TERRORISTAS QUE ACABAM SEMPRE EM ORGÍASTICAS CENAS DE VIOLÊNCIA, CANIBALISMO, E ORGASMOS QUE TRANSBORDAM NOVAS SUBSTÂNCIAS EXÓTICAS QUE SERÃO TESTADAS NAS COBAIAS, INEBRIANTES PARA OS VELHOS GAGAS, EUFÓRICOS PARA AS PROSTITUTAS, EXCITANTES PARA AS NINFETAS VIRGENS, HIPNÓTICOS PARA OS CRENTES E FANTÁSTICOS PARA OS TRAFICANTES. NOS LABORATÓRIOS SUBTERRÂNEOS DA PERIFERIA, OS TÉCNICOS DE CONSCIÊNCIAS EXPULSOS DE HARVARD, ESTUDAM AS MOLÉCULAS ALTERADAS NOS PROCESSOS PSÍQUICOS DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE, INJETANDO OBJETOS DE INTERVENÇÃO QUÍMICA DELIBERADAS. NOS ALTOS ESCALÕES DO GOVERNO, GEOPOLÍTICOS DO NARCOTRÁFICO, ASSISTEM A TUDO DOPADOS DE ALTAS DOSES DE ÓPIO NUM SUÍCIDIO COLETIVO E INDIFERENTE, BRADANDO AFORISMOS DE FREUD, NIETSCHE E HUXLEY. NOS SUPERMERCADOS CLANDESTINOS AS DONAS DE CASA ENTOPEM SEUS CARRINHOS COM ALIMENTOS CHEIOS DE AGROTÓXICOS, BEBIDAS ANALGÉSICAS, LATINHAS DE CONSERVADOS ANESTÉSICOS, E BISCOITOS EUTANÁSICOS, ENQUANTO SEUS MARIDOS FREQUENTAM CULTOS DEMONÍACOS FUMANDO HAXIXE MARROQUINO EM NARGUILÉS CHEIOS DE AYAHUASCA, MASTIGANDO E SALIVANDO MANDIOCA AO MESMO TEMPO, SUBVERTENDO OS RITUAIS INDÍGENAS , AO SOM DE FUNK, DANÇAM FRENETICAMENTE TRAVESTIDOS DE POPOZUDAS , DISPARANDO TIROS DE METRALHADORA PARA TODOS OS LADOS. CERTA VEZ UM GRUPO DE BAD BOYS DEPENDENTES METABÓLICOS, DESCONTROLADOS EM CRISES DE ABSTINÊNCIA, BABANDO E CONTORCENDO-SE COM CÂIMBRAS CRÔNICAS, INVADIRAM O BAILE ATRÁS DAS MANDIOCAS, E FORAM OBRIGADOS A DANÇAR NA BOQUINHA DE GARRAFAS CHEIAS DE FENICILINA, INTRODUZI-LAS NO ÂNUS COMO SUPOSITÓRIOS, E QUANDO EXPERIMENTAVAM UM PRAZER EUFÓRICO FORAM FUZILADOS. NAS SAUNAS GAYS INFESTADAS DE VAPOR DE CANNABIS, ENQUANTO ROLAM AS SURUBAS, ALGUMAS BICHAS PROCLAMAM LONGOS SERMÕES E SACRAMENTOS XINTOÍSTAS, SUFISTAS, BUDISTAS, HINDUÍSTAS, E RASTAFARIANISTAS, CHEIRANDO UM POTENTE RELAXANTE ANAL A BASE DE THC E ÉTER, INTRODUZEM DREADLOCKS UNS NOS OUTROS, E PRATICAM FIST COM OS BRACOS LUBRIFICADOS COM UM SUCO LEITOSO RECOLHIDO DO BULBO DE PAPOULA DA JAMAICA . DJS TERAPEUTAS SOBEM NOS TERRAÇOS DOS HOSPITAIS, E COLOCAM TODOS PARA SACUDIR O ESQUELETO, VÍTIMAS DE ACIDENTES DE TRÁFEGO CAUSADOS PELO ÁLCOOL, CRIANÇAS MUTILADAS POR MÃES ALUCINADAS COM BELADONA, PESSOAS EM DELÍRIOS DE POSSESSÃO, E OUTRAS QUE PENSAM SER DEUS DEPOIS DE FICAREM HORAS ASSISTINDO CANAIS DE TV EVANGÉLICOS SOB O EFEITO DE HIPNÓTICOS CLORAIS, ATLETAS COM MALES GÁSTRICOS E MUSCULARES CAUSADOS PELO EXCESSO DE ANABOLIZANTES, HOMENS QUE MULTILARAM SEUS PÊNIS E MULHERES CONVULSIONADAS DE ORGASMOS MÚLTIPLOS VICIADOS EM VIAGRA, DOENTES COM NEUROSES ESCRAVAGISTAS, ATAQUES PSICÓTICOS DE RACISMO, LOUCURA AGUDA, ANOREXIA COCAINÔMANA, DIARRÉIA DE LÍQUIDOS ÁCIDOS, ETC, DOSES FORTÍSSIMAS DE DOM SÃO DESTRIBUÍDAS, E TUDO VIRA UMA RAVE CATÁRSICA, DE FLAGELADOS CONTORCENDO-SE ENTRE DRAGÕES E OUTRAS ALUCINAÇÕES PALPÁVEIS DURANTE DIAS, IMITANDO O VERÃO DO AMOR DE SAN FRANCISCO, QUANDO FORAM DESTRIBUÍDAS CERCA DE 5MIL TABLETES DE DOM NUMA CONCENTRAÇÃO NO PARQUE GOLDEN GATE, PROVOCANDO PÂNICO, AGORA ISSO JÁ NÃO ASSUSTA NINGUÉM, E TODOS QUICAM AO SOM DO BATIDÃO HIPNÓTICO. NA UTI, MEMBROS DA ORGANIZACÃO MUNDIAL DE SAÚDE ORGANIZAM UM CHILL OUT DE PSICOTERAPIAS GRUPAIS, INGERINDO GRANDES QUANTIDADES DE ECSTASY COM FAMÍLIAS, CASAIS, PESSOAS TRAUMATIZADAS QUE FORAM AGREDIDAS, VIOLADAS, TORTURADAS, E TODOS TROCAM JURAS DE AMOR ETERNO, EM LONGAS SESSÕES DE ABRAÇOS E MASSAGENS. O EVENTO TODO É PATROCINADCO PELA COCA-COLA, QUE ACABA DE LANÇAR NO MERCADO UM NOVO PRODUTO A BASE DE SABORIZANTES E AROMATIZANTES COM FOLHAS DE COCA AMAZÔNICAS ANABOLIZADAS EM LABORATÓRIO, AS CRIANÇAS E ADOLESCENTES VICIADOS AGARRAM-SE AS GARRAFAS E ACABAM TRINCANDO-SE COM TAMANHA FÚRIA, QUE QUEBRAM OS PRÓPRIOS DENTES E AS MANDÍBULAS. OS INTERNAUTAS PASSAM HORAS NOS CYBERCAFÉS PLUGADOS AOS COMPUTADORES EM CHATS DE SEXO, SÃO SERVIDAS DOSES DE HEROÍNA EM CUBINHOS MESCLADOS COM SUBSTÂNCIAS ALCALINAS PARA MASTIGACÃO, E INTERMINÁVEIS XÍCARAS DE CAFÉ BROXANTE CAUSANDO A PERMANÊNCIA DOS BURGUESES NAS SALAS . NOS BOSQUES DA CIDADE, JOVENS NINFAS REALIZAM COREOGRAFIAS SENSUAIS COM FLORES DE MANDRÁGORAS E BRUGMÂNSIAS NOS CABELOS, ENQUANTO OS POETAS FUMAM ÓPIO E ESCREVEM LONGAS ODES A SI MESMOS, OLHANDO SEUS REFLEXOS NOS LAGOS, NUMA METÁFORA ETMOLÓGICA ENTRE O MITO DE NARCISO E A PALAVRA NARCÓTICOS, QUE SÃO SUBSTÂNCIAS HIPNÓTICAS, SEDATIVAS E SONÍFERAS, MUITOS ACABAM AFOGADOS, ENTORPECIDOS PELO PRÓPRIO EGO.







"a arte é a vida , a fantasia é a única realidade" G.Q. 





















































